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O que Munique 1972 tem a ensinar à Rio 2016?

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CHACINA
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Os olhos do mundo estarão voltados para o Rio de Janeiro ao longo deste mês. A emoção da competição e a torcida pelas medalhas já se somam à apreensão de que um atentado terrorista possa acontecer a qualquer momento. É essa a consequência da série ininterrupta de aleatórios atentados em diversos pontos do globo ao longo dos últimos meses. E é também a lembrança dos atentados nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, que assombra a comunidade internacional e as autoridades brasileiras.

Foi em Munique que aconteceu o evento mais traumático das Olimpíadas: 11 atletas israelenses foram mortos, dois diretamente por terroristas do grupo Setembro Negro e os demais na troca de fogo entre a polícia alemã e os palestinos daquele grupo.

A memória daquele episódio permanece inconvenientemente inquieta.

Novas e estarrecedoras informações foram divulgadas recentemente e sabe-se agora que alguns dos atletas israelenses foram cruelmente torturados, enfraquecendo com isso a retórica palestina de então de que o intuito do ataque era chamar atenção para sua causa e libertar companheiros.

De outro lado, a saga das famílias das vítimas continua. Mais de 40 anos se passaram, e elas ainda lutam pelo reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional. O pedido por um minuto de silêncio durante a cerimônia de abertura dos jogos foi mais uma vez negado.

No entanto, um memorial será criado na Vila Olímpica lembrando aqueles que perderam suas vidas durante as competições. E, na Prefeitura do Rio de Janeiro, será organizada uma homenagem aos atletas israelenses mortos. Não é o que queriam, mas já é mais do que haviam conseguido em Londres.

Munique também trouxe lições. Foi um marco no terrorismo moderno por alguns motivos: um empreendimento daquela dimensão exigiu planejamento e recursos que não se sabiam estar disponíveis para grupos terroristas; a cobertura da mídia internacional em ciclo ininterrupto - a "era do terror ao vivo" - deu o tom daquilo que seria a regra no pós-11 de setembro; e os impactos desestabilizadores de um conflito no Oriente Médio mostravam que o mundo estava se encolhendo, para o bem e para o mal.

Foi o momento a partir do qual a comunidade internacional começou a empreender verdadeiramente esforços conjuntos para combater o terrorismo.

A Organização das Nações Unidas se engajou, ainda que timidamente para os padrões atuais, de forma definitiva. E os países desenvolvidos passaram a pressionar que todos tomassem medidas significativas para conter e eliminar grupos terroristas.

O nível de cooperação internacional na preparação do Rio de Janeiro para receber milhares de atletas e milhões de turistas é inimaginável para quem estava em 1972 na Vila Olímpica em Munique: agentes de segurança de 83 países vêm à cidade para protegê-la em coordenação com as autoridades brasileiras.

Se o massacre da Olimpíada de Munique deixou claro o descuido com a segurança dos atletas e o despreparo com a gestão de situação de crise por parte do governo alemão em suas diversas esferas, o mesmo não poderá ser dito sobre as preparações brasileiras, ainda que haja algumas dificuldades.

Paira um senso de impotência, contudo. Assim como as autoridades de segurança, os terroristas também evoluíram. Ganharam em tecnologia, redes de contato e mesmo criatividade.

É essa a competição que determinará o sucesso dos jogos no Rio. É essa a competição que deixará todos apreensivos até que o fogo olímpico parta para sua próxima sede.

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