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Um suspiro de alívio: Trump tropeça no debate e nas pesquisas

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DONALD TRUMP HILLARY CLINTON
ASSOCIATED PRESS
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O mês de setembro foi excepcionalmente bom para Donald Trump. O candidato republicano conseguiu - dentro de seus parâmetros - ficar longe de maiores controvérsias e, assim, reduziu a distância em relação a Hillary Clinton nas pesquisas. O ressurgimento de questões sobre o uso do servidor privado de e-mail durante seu tempo como Secretária de Estado, somado a novas dúvidas sobre sua saúde, especialmente após uma crise de pneumonia, colocaram Hillary na defensiva.

Tanto as pesquisas nacionais, quanto aquelas realizadas nos chamados swing states - Ohio, Florida, Virginia, Iowa, Colorado, Nevada, New Hampshire, entre outros - passaram a mostrar uma disputa mais acirrada do que o esperado. E o jogo de expectativas sobre o debate já havia sido ganho pelo empresário norte-americano: poucos esperavam que Trump saísse vencedor frente uma experiente política com dezenas de debates na bagagem (vale lembrar que ela saiu vitoriosa da maioria dos debates contra Obama, em 2008, e contra Bernie Sanders, nas primárias desse ano).

A performance de Donald Trump no debate, no entanto, foi desastrosa para sua campanha. O candidato pareceu confuso, irritado e desinteressado. Não ofereceu respostas objetivas ou precisas. Interrompeu Hillary mais de 50 vezes ao longo do debate. E, repetidamente, atropelou o moderador que tentava guiar as discussões.

Nada disso é novo. Foi assim em todos os debates das primárias republicanas e não desestabilizou sua campanha em nenhum momento. Dessa vez, todavia, foi diferente. O público era muito maior - o debate teve a maior audiência da história, 84 milhões de telespectadores - e o foco era, ou pelo menos deveria ser, eleitores indecisos, principalmente aqueles chamados independentes por não serem filiados a nenhum partido. Esses eleitores, em geral, são menos receptivos à mensagem ultraconservadora e agressiva de Trump.

Além disso, do outro lado do palco, não estavam diversos homens com ideias parecidas e visões de mundo semelhantes. Hillary representa uma perspectiva radicalmente diferente. E não bastasse isso, estava significantemente mais preparada para o debate - pelo que foi, pasmem, criticada por Trump. Mesmo os que discordam de suas posições políticas reconhecem sua dedicação e conhecimento sobre detalhes e meandros de temas diversos, como saúde dos veteranos e proliferação nuclear. Assim, ficaram ainda mais flagrantes as propostas genéricas e inconsistentes do republicano.

Encontrar o tom para enfrentar uma mulher também parece ser um desafio para o candidato republicano. Durante as primárias, perdeu uma constrangedora discussão sobre aparências com Carly Fiorina, a única mulher a disputar as primárias republicanas. Contra Hillary, as frequentes interrupções não devem ter lhe feito favores perante o eleitorado feminino. Já a democrata, reagia de forma calma e até irônica, como quem já está acostumada com esse tipo de prática.

Dois pontos do debate geraram frutos (venenosos) para Trump ao longo da semana. O primeiro deles se refere às críticas feitas à Alicia Machado, Miss Universo 1996. Hillary lembrou o histórico de comentários e comportamentos ofensivos do republicano contra mulheres, dando como exemplo as críticas feitas por Trump, à época dono do concurso de beleza, à Machado. Ao invés de recuar, nos dias seguintes, o republicano partiu para o ataque, acusando-a de ganhar uma quantidade absurda de peso e de ter gravado um vídeo de sexo. Desgastou-se ainda mais com o eleitorado latino e jovem, essencial em estados como Arizona e Nevada.

O segundo deles se refere às declarações de impostos renda, que Trump se recusa a divulgar. Sob a (falsa) justificativa de que elas teriam caído na 'malha fina', o republicano foi o primeiro candidato a presidente em 40 anos a não divulgar suas declarações. Pressionado sobre os motivos, se irritou durante o debate. No final da semana, contudo, foi noticiado que, por meio de uma manobra contábil, é possível que Trump não tenha pago nada de imposto de renda federal, nos últimos 18 anos. A resposta do candidato foi se gabar de sua esperteza e conhecimento sobre as leis tributárias do país.

Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram que essas controvérsias prejudicaram o candidato republicano: Hillary se distanciou de Trump, tanto no nível nacional, quanto na maioria dos estados decisivos. Um suspiro de alívio coletivo pode ser ouvido pelo mundo. Que segurem, por enquanto, as comemorações. O republicano já mostrou capacidade única de se recuperar das feridas autoinfligidas e ressurgir das cinzas. E com um mês até as eleições - e mais dois debates presidenciais -, ainda há bastante tempo para Trump renascer.

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