Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Guilherme Masi Headshot

Democracia sem hipocrisia

Publicado: Atualizado:
BRAZILIAN DEMOCRACY
NELSON ALMEIDA via Getty Images
Imprimir

2016-05-13-1463112215-2090534-ninja_congresso.jpg

O povo acordou em 2015, pouco depois das eleições. Eu achei que era raiva do PT. O número de manifestantes aumentou, a economia piorou e a Dilma mentiu. Mas eu ainda achava que era raiva do PT. Mas aí Aécio e Alckmin foram enxotados da Av. Paulista.

Epa! Agora a coisa ficou séria.

As ruas estavam esfregando na minha cara que o cidadão de bem não tinha partido e não aguentava mais tanta ladroagem. Não dava mais pra achar que era só raiva do PT.

O tempo passou e o cerco à quadrilha do governo federal se fechou. Eduardo Cunha ainda presidia a Câmara, mas em decisão histórica do STF, o Caranguejo foi afastado e o povo foi às ruas comemorar. Naquele dia a Paulista não teve lado, teve consenso - e com ele, o inevitável chegou.

12 de maio de 2016 não é só o fim do PT no poder, é o fim da tolerância à corrupção no Brasil. Nos olhos de Renan Calheiros, ao divulgar o resultado do impeachment, a preocupação era nítida.

Do lado de fora, na Esplanada dos Ministérios, não havia mais muro da vergonha. Havia quase 1 milão pessoas em silêncio: tristes, tensas, ansiosas, unidas. Aos poucos, o silêncio consternado deu lugar ao ímpeto.

Os gritos de "Fora Temer" começaram a ecoar no Congresso Nacional. Jornalistas não sabiam se mantinham o foco no impedimento de Dilma ou se cobriam as manifestações contra o presidente interino. Dos gritos aos passos, o povo partiu em direção ao Congresso, que se acuou.

Atordoado, Temer adiou o anúncio de sua equipe ministerial e reuniu-se com lideranças do partido para tentar acalmar a situação. Não adiantou. Piorou. Quando ele surgiu à nação, na segunda tentativa, bombas da polícia interrompiam sua fala na ilusão de conter a massa raivosa que tentava invadir aquele escárnio.

Temer e seus quase-ministros foram retirados dali. O primeiro a correr foi José Serra. A essa altura, São Paulo, sem seu Secretário de Segurança, tentava invadir o Palácio dos Bandeirantes aos gritos de "não vai ter sossego". A PM só olhava. A cena se repetia país afora.

Em Brasília, a mensagem era uma só: o Brasil vai parar se o Temer governar. Oito e meia. O Jornal Nacional, que havia preparado uma edição histórica sobre o impeachment, teve que improvisar e William Bonner cobriu "a revolta de um país inteiro".

O mercado, o tal do mercado, estava atônito. Catatônico. E a ponte para o futuro? Quebrou! Quebrou porque não pode haver futuro se o passado ainda não terminou. Líderes dos "movimentos de rua" e dos "movimentos sociais" não lideravam nem mais suas páginas no Facebook, enquanto analistas políticos diziam o óbvio: o povo cansou.

Na calada da noite, o presidente interino oficializou sua posse, mas entre panelas e buzinas, ninguém o escutou. Quando o dia raiou, a presidência da Câmara estava inundada de pedidos de impeachment contra Michel Temer e as 27 sedes de governo haviam sido invadidas.

A indústria parou, o comércio parou, os serviços pararam. A famigerada Greve Geral do WhatsApp saíra do celular. A imprensa internacional cobria ao vivo "a maior manifestação popular que se tem notícia no Ocidente". O PMDB, encurralado em seu segundo dia de governo, convoca um pronunciamento à nação em caráter de urgência.

Temer renuncia. Nenhum aplauso. Enquanto o ex vice-presidente entrava para história como o mais breve presidente de uma nação, o povo entrava na casa de Fernando Giacobo, presidente interino da Câmara, sortudo da loteria e próximo na linha de sucessão. Não ia parar ali.

Cai Giacobo. Cai Renan Calheiros. Cai Alckimin. Cai Pezão. Cai Marconi Perillo. Cai Tião Viana. Cai Rolemberg. Cai Pimentel. Cai Flavio Dino. Cai Rui Costa. Cai Beto Richa. Cai, não fica nada.

Nas ruas de todo o Brasil o povo entoa os versos da Cartomante, de Elis Regina, e marcha para um futuro onde corruptos não passarão.

LEIA MAIS:

- O Facebook está longe de ser uma rede social 'tímida'

- A cidade respira

Também no HuffPost Brasil:

Close
Frases de impacto sobre o impeachment
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual