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Como uma mastectomia melhorou a minha vida sexual

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MASTECTOMY
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Quando agendei a mastectomia considerei que nossa vida sexual tinha chegado ao fim. E mesmo com o cirurgião afirmando que um trabalho de reconstrução me deixaria novinha em folha, eu fiquei extremamente receosa.

Transferir gordura da barriga para criar um novo seio direito poderia me deixar com uma cicatriz permanente no formato de um sorriso arrepiante, de quadril a quadril.

Suponhamos que o câncer seja sido removido com sucesso, meu novo seio seria feito em duas etapas. Se a operação de enxerto de gordura, de sete horas, desse certo, eu voltaria alguns meses depois para colocar o mamilo. Enquanto isso eu usaria um adesivo do tamanho de um pequeno heliporto que é onde meu mamilo ficaria eventualmente.

Além disso tudo, eu nunca mais sentiria nada no meu peito direito. Estava bem assustada; não só com a dor e a incerteza, mas como Philip reagiria ao meu corpo cirurgicamente retalhado.

Ele já tinha sido insensato o suficiente ao se casar com uma mulher oito anos mais velha e com dois filhos nas costas. Em um mundo que idolatra a perfeição cuidadosamente elaborada nas academias, ele em breve teria todas as razões do mundo para não se interessar mais.

Um dos grandes consolos de ser novelista é que você pode deixar seus personagens viverem os seus medos.

A protagonista do meu novo livro Tumbledown Manor (Kensington) está em uma situação similar, porém ela decide não fazer a reconstrução. Depois da cirurgia, o marido de Lisa foge com uma mulher mais jovem.

Ela está convencida que nenhum homem voltará a tocá-la -- até que ela encontra a coragem de expor suas cicatrizes para um estranho de bom coração.

Os efeitos colaterais mais interessantes da minha cirurgia de câncer de mama não aconteceram no meu corpo, mas dentro da minha cabeça. Confrontar a possibilidade de morte me fez buscar forças para viver. As flores emanam mais cheiro, a brisa da manhã é mais fresca -- e as curvas do corpo humano parecem mais vulneráveis e preciosas do que antes.

Quando os pontos e curativos foram retirados, uma nova forma de ternura floresceu entre nós. A parede de nosso quarto não ressoa mais com "mais duro, mais rápido, mais profundo", mas com sorrisos gentis, uma sensação de perdão mútuo e a mais sincera gratidão.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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