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Mais amor e menos #hashtags

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Não tenho nenhum interesse em saber quem foi à academia pela manhã. Ou o que comeram no café da manhã. Quem está molhando os pés na piscina. Ou quem está a caminho do trabalho, irado no trânsito. Quem está experimentando roupas no provador de numa loja. Ou quem está no sofá assistindo Netflix. Não percebo esta necessidade extrema de gritarmos o que estamos fazendo, o que sentimos, o que comemos, onde vamos, o que vemos, o que queremos... Gritamos tanto, tanto, tanto mas a verdade é que não temos nada para dizer.

Eu também gosto do Instagram e do Facebook, e também tiro fotografias idiotas que depois publico, com comentários igualmente idiotas. E não sou uma info-excluída, mas raramente veem o que como, quando vou à academia, quando saio de casa, quando vou à praia ou quando vou às compras. Ninguém sabe nada daquilo que faço durante o dia, o que gosto, o que sinto, o que vejo, onde vou. Mas provavelmente já sabem tudo sobre os meus gatos, os artigos que leio online e partilho e veem as fotografias que tiro em momentos: agora nos festivais de verão em Portugal, em viagens com as minhas amigas e situações divertidas.

E é este o ponto em que ficamos no limbo: O que preferem? Viver ou compartilhar nas redes sociais?

Muito pouca gente consegue discernir entre o mundo virtual e o real. E vivem cá e lá. Vivem da fama do Facebook e do Instagram. Dos likes e dos comentários. Do ser-se tão famoso que se tem de fazer tudo o que é suposto fazer porque se quer cultivar mais likes e mais comentários. Vivemos tão obcecados em ser tão cool, em sermos aceites e falados, que simplesmente deixamos de viver. Eu não me excluo desta obsessão moderna. Mas ninguém me vê na rua agarrada ao celular enquanto o mundo corre à minha volta. Ninguém me vê no espelho da academia tirando fotos. Ninguém me vê nos espelhos das lojas fotografando a roupa que estou pensando em comprar. Ninguém me vê num restaurante deixando a comida esfriar porque estou tirando uma foto para colocar no Instagram.

Sou totalmente a favor da liberdade de expressão e das fotografias de noites ou férias divertidas, das parvoíces que partilhamos, de vídeos engraçados, de inspirações, de fotografias e sites de humor que nos fazem rir por um momento. Mas cada vez me identifico menos, e menos, e menos, com esta obsessão virtual e esta ânsia em sermos grandes. Mesmo que virtualmente.

E é exactamente por isto que, provavelmente, vou acabar sozinha com 10 gatos. Porque basta-me rolar um pouco pelo Instagram para ver pessoas a tirar selfies, fotos ao espelho, a fazer beijinhos para o celular, a fotografar a roupa que estão a usar, os seus pezinhos no mar, os seus abdominais ao espelho da academia, as suas pulseiras para a zona vip da balada...

Ainda existem pessoas que não vivam obcecados com a fama virtual? Que cultivem a cultura ao invés das bebedeiras ao sábado à noite na balada? Que fotografem viagens e não abdominais? que vão a concertos, ao cinema, à praia sem ter que tirar uma selfie do momento? Que falem mais do que escrevam? Que não registem os seus sentimentos com hashtags? Que partilhem o que sentem e não o que têm? Não sou nenhuma louca que acha que todos os outros estão errados. Mas será que sou eu que estou errada por não me identificar com as pessoas de hoje?

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