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Qual o lugar do homem nisso?

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George Mattei via Getty Images
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Não coçar o saco, não cuspir no chão e não assediar mulheres na rua não faz de ninguém um herói. Ao mesmo tempo, porém, não cometer nenhum desses comportamentos já é suficiente para afastar os rapazes do estereótipo do "machão", consolidado por séculos nestas duras cavernosas fragas.

E, deste lugar que vos falo, posso assegurar: abrir mão de ser "o macho" - ainda que seja o mínimo esperado em uma sociedade civilizada - não deixa de ser uma forma de resistência, sobretudo quando se é mais jovem e se está cercado de gente cuja opção foi outra.

Mesmo assim, para quem tomou essa decisão, livrar-se do machismo não será mero passe de mágica. Ora em um termo mal-empregado, ora em certa passividade diante do trabalho doméstico, ora em uma postura paternalista...

Por mais que sejamos vigilantes, não ser quem queriam que fôssemos é uma luta na qual não existem só vitórias - coisa que devemos saber não só os homens, mas também as pessoas brancas, as heterossexuais, as bem-nascidas. É saudável que cada um possa reconhecer não só sua opressão, mas também seu privilégio, neste País complexo e não indicado para principiantes.

Com todas essas delongas, sinto-me mais à vontade para compartilhar uma impressão: parece que, quando algum episódio específico traz à tona uma pauta feminista, os machos "em desconstrução" ficam bastante perdidos - o que se vem repetindo na repercussão do hediondo acontecimento dos últimos dias.

De um lado, há os que se excedem e usam um avatar que não lhes cai muito bem. De outro, os que, com receio de exceder seus limites na pauta alheia e resvalar na hipocrisia, optam por um estrondoso silêncio.

Em meio a isso tudo, tenho inúmeras dúvidas e uma só certeza: nós todos que nos preocupamos com questões humanitárias, com a defesa de valores relacionados à noção de "direitos humanos", precisamos urgentemente desenvolver modos empáticos de dialogar, juntos, contra o horror.

Se não, continuaremos nos dividindo, enquanto eles se agrupam de uma forma perigosamente fácil.

Em 33, ou em muitos mais.

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