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3 motivos pelos quais você precisa assistir o documentário 'São Paulo em HI-Fi'

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Vira e mexe penso sobre a nossa história. A história do Brasil mesmo, essa coisa que escrevemos e vivenciamos dia após dia. Fico pensando e imaginando como as gerações futuras saberão sobre o hoje em que vivemos, ainda mais em um país de memória curtíssima e de um povo cada vez menos letrado.

Pensando então pelo viés do resgate e do "para entender como chegamos até aqui", que o documentário São Paulo em Hi-Fi, de Lufe Steffen, é tão necessário. O filme é um resgate absolutamente necessário da noite LGBT paulistana entre as décadas de 60 e 80, passando pelas principais boates, personagens e histórias da época.

Se hoje a comunidade LGBT pode andar pela Av. Paulista de mãos dadas e celebrando seu orgulho (não sem uma dose de medo e receio graças a escalada conservadora que vivemos), é porque os pioneiros daquela época desfilavam ousadia e extravagância pelas ruas da pauliceia desvairada.

Três pontos do filme são extremamente impactantes e necessários:

1. Darby Daniel narrando o dia em que Wilza Carla (vedete do Teatro e da TV - Conhecidíssima por ter feito a D. Redonda na primeira versão de Saramandaia) desceu a Rua Augusta montada em um elefante para chegar de forma triunfal em uma festa da Boate Medieval.

wilza carla

2. O embrião, em 1981 (!!!!!!!) do que seria a Parada do Orgulho LGBT de SP hoje. Onde cansados de serem massacrados pela polícia, 1000 LGBTs se reuniram no centro de SP e marcharam pedindo mais direitos e menor repressão, em um tempo onde ser gay era crime e passivo de prisão!

sao paulo em hifi

3. Kaká Di Polly, rainha mãe das Drag Queens de São Paulo, em momentos e tiradas hilárias contando os causos e acontecimentos das mais variadas boates da cidade.

O filme ainda fala sobre a assombrosa e mortal "chegada" da AIDS à comunidade LGBT de SP, no final dos ano 80; O Tabu de ser gay e estar na terceira idade e nos joga na cara de como a noite de SP deixou de lado o Glamour, para virar a terra do carão, ou como falou Augusto Caldeira em sua "resenha" no facebook:

"O documentário também toca num outro ponto, ainda que indiretamente, mas que eu acho um ponto extremamente relevante, que é o envelhecer gay. Se a velhice já é um grande tabu numa sociedade tão obcecada por juventude como a nossa, o tabu é ainda maior quando se trata da homossexualidade. Ser velho e gay é algo completamente invisibilizado, ou então referenciado de forma extremamente pejorativa. E ver todos aqueles senhores sendo entrevistados e debatendo sobre a época de suas juventudes é inspirador e revigorante. A gente até se coloca no lugar, fica se imaginando como será se tornar uma bicha velha daqui a 30 ou 40 anos e ficar contando pra juventude o que eram as festas da nossa época"

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Time de transformistas da boate Medieval em mais um dia de Glória!

E engana-se quem acha que é um filme GGG, não é. Lésbicas, Transexuais, Drag Queens e Gays tem espaço igual na narrativa. Falando sobre suas histórias, sua juventude e como construíram os pilares da noite paulistana que vivemos hoje.

Definitivamente você, sendo LGBT ou não, merece e deve assistir São Paulo em Hi-Fi. O filme tem uma próxima exibição gratuita acontecendo em Belo Horizonte, no próximo dia 14/07. Mais informações vocês encontram na página do documentário no Facebook.

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