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'Alerta de Risco' reúne os melhores contos do escritor Neil Gaiman

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Poe dizia que a beleza do poema está na possibilidade de lê-lo em uma sentada só. A regra se aplica magicamente à ficção curta. Nada melhor do que parar por uma horinha - no meio do almoço, no caminho de volta para casa ou no sofá, antes do telejornal - e ler uma história do início ao fim.

Por isso, diferente da maioria de seus leitores, descobri Neil Gaiman através dos contos ou, mais especificamente, dos textos de sua primeira coletânea, 'Fumaça e Espelhos', publicada em 1998.

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Até hoje sinto um pouco de medo ao lembrar de 'Ponte de Troll'. 'Neve, vidro, maçãs', uma releitura de Branca de Neve, é talvez o conto de fadas moderno que mais reli. Considero 'Gostos' a perfeita história erótica: com profundidade e prazer em igual proporção. 'Mistérios Divinos' e 'Cavalaria' são excelentes, e favoritos de crítica e público.

'Coisas frágeis' veio depois. Achei 'O Pássaro do Sol' brilhante e 'Como Falar com Garotas em Festas', recentemente adaptado em HQ por Gabriel Bá e Fabio Moon, divertido. 'Um estudo em esmeralda', que toma emprestado o estilo de Conan Doyle é também imperdível para quem, como eu, adora Sherlock Holmes.

Mas nenhum deles chega exatamente à perfeição alcançada em 'Alerta de Risco', publicado em agosto, pela Intrínseca.

Li muitos dos textos ao longo dos últimos anos e a experiência de relê-los como uma obra só foi fascinante. O autor diz na introdução que reuniu as histórias da última década e por isso acredita que o volume não apresenta uma unidade autêntica. Discordo. Em cerca de 300 páginas, temos uma amostragem do melhor das ficções, sejam elas literárias ou de "gênero".

Há algo para cada um de seus leitores (e muito para todos eles): um calendário de contos (gosto especialmente de Fevereiro), fanfic (com referências a 'Psicose' em 'Minha última senhoria' e novamente a Conan Doyle em 'Caso de Morte e Mel'), uma fantástica homenagem a David Bowie em 'A Volta do Magro Duque Branco', contos de fada (em 'A Bela e a Adormecida', também disponível em edição ilustrada e 'Diamantes e Pérolas', que fez parte do primeiro projeto com a esposa Amanda Palmer).

'A verdade é uma caverna nas montanhas negras' é assustador e se aproxima mais de uma novela curta. Reli 'Labirinto lunar' várias vezes, sempre achando que o final seria diferente (e ele nunca me decepcionou). 'História de aventura', é bom e tem uma estrutura simples (aqui você pode lê-lo na íntegra).

Um dos pontos altos da edição nacional - li primeiramente no original - é a tradução de Augusto Calil. Gaiman tem uma cadência peculiar de linguagem, com aliterações, o que torna bem difícil traduzi-lo para o português. (A experiência de leitura dos volumes de Sandman em português, por exemplo, deixa muito a desejar). Calil mantém-se fiel a essas características sem abrir mão da prosa elegante e sucinta.

Quando nos encontramos em julho, Neil disse que adorava a oportunidade de escrever contos. "Tenho muita sorte em publicá-los. Ainda assim, vendem apenas um terço das vendas de meus romances. E isso me deixa triste".

Ele faz um convite: "Quem gosta de meus romances, gostaria também dos contos. Queria muito que viessem experimentar".

E 'Alerta de Risco' é um bom lugar para começar.

Para os fãs que adorariam que Neil Gaiman viesse para a Flip de 2017, já é possível fazer sugestões para a curadora da Festa, Joselia Aguiar, aqui.

LEIA MAIS:

- Neil Gaiman é provavelmente a pessoa mais interessante que você vai conhecer

- Por que decidi autopublicar meu livro (e você deveria fazer o mesmo)

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