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No Kindle, o que importa é o livro

Publicado: Atualizado:
KINDLE
ASSOCIATED PRESS
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Toda vez que alguém começa a falar sobre o Futuro do Livro (assim, em maiúsculas), lembro do trecho de uma revista Scribner de 1894, mais tarde incluído em artigo do MIT.

Dizia algo assim:

"Nossos netos não vão confiar seus trabalhos a esse método antiquado [papel impresso, costurado a uma capa que anuncia o título], agora tão facilmente substituível pelo... fonógrafo".

O livro é, possivelmente, uma das mídias mais resilientes de todos os tempos.

Outra fonte brinca com isso ao dizer que, no futuro, será resistente a altas e baixas temperaturas, à prova d'água e não precisará de bateria nem de conexão wifi. Será feito, veja só, de papel.

Dá para entender o fetiche do papel e como ele ajudou a construir a história do livro até aqui. Impossível resistir às diferentes texturas, edições ilustradas, à descoberta de novas fontes e capas.

Quando entro na casa de alguém pela primeira vez, vou logo olhando os títulos nas prateleiras ou casualmente largados em mesas e cadeiras. Os livros dizem mais do que as nossas palavras. São nossa alma em silêncio.

Ainda assim, há mais de 5 anos leio quase exclusivamente em e-readers. Acho a leitura mais confortável, mais íntima e, como Neil Gaiman disse recentemente: "para quem está em movimento, é muito melhor carregar essa biblioteca digital, para todo lugar".

Diria até que o livro em papel cabe melhor em um estilo de vida contemplativo, enquanto o leitor eletrônico permite a contemplação em um dia a dia atribulado, como um oásis no meio do asfalto.

Lançado em abril nos Estados Unidos e disponível na loja brasileira desde o último fim de semana, o Kindle Oasis é o e-reader dos sonhos de quem gosta mesmo de ler.

Surrealmente leve, encaixa-se perfeitamente à mão (direita ou esquerda), traz um sistema de iluminação incrível e vem com uma capa funcional e bonita de verdade, que de quebra traz uma bateria extra. A Amazon me enviou um para teste pouco depois do lançamento e em uma semana já havia encomendado o meu pela loja francesa. Desde então, criei uma relação quase simbiótica com ele.

Vendido a R$ 1.399,00, não é para todos os bolsos. A Amazon sabe disso e hoje oferece um portfólio completo, que começa com o mais simples (sem iluminação embutida) Kindle a R$ 299, passando pelo campeão de vendas Kindle Paperwhite a partir de R$ 479 e o Kindle Voyage, a R$ 899.

Para os menos tecnológicos ou quem não quer desembolsar muito, recomendo o Paperwhite. É o leitor da minha avó, de 88 anos e, desde que ganhou um, nunca mais comprou livro físico. Tem uma capa funcional, boa iluminação e resolução, e é robusto (resistente a quedas).

O Kindle Oasis é para quem gosta muito de tecnologia e lê MUITO, mesmo.

Listei abaixo os principais diferenciais em relação aos dois modelos mais recentes, Voyage e Paperwhite.

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1. O Kindle Oasis é leve demais

Com ênfase no demais. Dá para ler na cama e em qualquer lugar, pois se o Kindle cair sobre você ou passar a noite inteira debaixo do travesseiro, nada vai acontecer. Aviso aos distraídos: já aconteceu de o meu Kindle voar longe...

2. Dá para segurar com uma mão só...

O modelo anterior, Kindle Voyage, já era leve e fino o suficiente para segurar com uma mão
. Mas o Oasis atende aos leitores mais criteriosos: sem a capa, ele tem uma lombada que se parece muito com a do livro físico.

3. Você pode ler arquivos em Word em ótima configuração

A Amazon já oferece, há algumas gerações, a possibilidade de enviar arquivos em PDF para leitura no e-reader. Mas a configuração de leitura era muito ruim.

Em junho, recebi o arquivo em Word de um livro ainda não publicado e enviei para o meu e-mail do Kindle. O Oasis automaticamente adaptou o layout para uma leitura fluida. Fiz a mesma coisa para ler um segundo livro e usarei a função para revisar a versão em inglês de Malgosia no tempo e outras histórias.

4. Botões de troca de página que realmente funcionam

Quando escrevi sobre o Kinde Voyage no início do ano, disse que os botões ainda precisavam de algumas melhorias. Os novos botões realmente funcionam, e são mesmo ergonômicos. Tudo ficou mais fácil.

5. Aspiracional: capa bonita e funcional

O produto é mesmo caro mas, pela primeira vez, é também aspiracional. É o Kindle mais bonito, com a melhor experiência.

Quanto aos pontos que ainda precisam de melhoria...

Espero que o próximo seja à prova d'água.

Leitores de todas as horas como eu, que gostam de ler à beira do mar ou da piscina, concordarão que faz toda a diferença.

Uma melhoria menor, mas importante, seria poder usar a capa mesmo quando está sem bateria desabilitando os avisos frequentes para recarga.

Mas o Kindle Oasis é, de longe, o melhor ereader que já testei.

Pode parecer contraditório mas, nele, o que importa é o livro.

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