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Por que você precisa assistir 'Westworld'

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WESTWORLD
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"Sua humanidade é barata", diz o Homem de Preto a um dos robôs mais bem feitos da nova série da HBO, Westworld. E deve ser mesmo, pois a cada dia, as centenas de andróides que compõem o parque de diversões do Dr. Ford, brilhantemente interpretado por Anthony Hopkins, passam pelas mãos de um time de açougueiros para voltar à ativa sem um arranhão sequer.

Fã tardia de ficção científica, mas apaixonada por tudo que tivesse remotamente a ver com viagens ao espaço ou inteligência artificial, comecei a ver a série cheia de expectativas. Depois de Game of Thrones, queria a todo custo me agarrar a esta promessa: uma distopia inteligente com produção de cinema.

Cada episódio - cinco foram ao ar até o momento - dura aproximadamente uma hora e, como disse Emily Nussbaum, crítica da New Yorker, "é o tipo de projeto conceitual que seria insuportável se não fosse tão elegante".

A violência é abundante - física e psicológica - e este costuma ser meu limite ao consumir ficção. Ainda assim, tenho aguardado os domingos à noite ansiosamente, ao lado de uma boa garrafa de Chardonnay.

O motivo? Impossível definir apenas um (e arrisco dizer que cada um tenha os seus), mas listei abaixo aqueles que considero os grandes diferenciais da produção. Pois 'Westworld' é original, não importa quantas referências e homenagens encontrem em sua míriade de enredos.

Maniqueísmo às avessas

Em boa parte da literatura sobre inteligência artificial, os robôs são o mal maior. Aqui, não.

No filme homônimo de 1973, o Homem de Preto, então interpretado por Yul Brynner, era um robô. Na série atual, o personagem de Ed Harris é humano. À primeira vista, assim são os outros vilões.

Será interessante assistir à desconstrução dessa e de outras regras estabelecidas.

Alice no País das Maravilhas

Os primeiros episódios são marcados pela repetição. Os robôs vivem o mesmo dia, continuamente, na melhor materialização de déjà vu. Repetição pode ser algo extremamente poderoso na literatura, como Lewis Carroll bem sabia.

A referência mais óbvia à sua obra mais famosa é, na verdade, a personagem de Dolores. Impecavelmente vestida em azul, com longos cabelos loiros ondulados e uma expressão quase onírica, a personagem de Evan Rachel Wood é a melhor introdução ao desconfortável universo de 'Westworld'.

Que ela evolua depois (junto a nós, espectadores), é tudo o que queremos.

Dr. Ford

Franzi o nariz para o elenco estelar da produção. Ora, se a ideia era repetir o sucesso de GoT, agora em sci-fi, por que escolher nomes já conhecidos do cinema?

Pelo menos um deles, no entanto, já nos deu razões de sobra. Impossível acreditar que outro ator teria o mesmo impacto de Anthony Hopkins em duas de suas melhores cenas até o momento.

Dr. Ford promete ser o humano mais complexo.

A abertura

A abertura de 'Westworld' é belíssima e, como naquela expressão em francês, faz sonhar.

Enquanto impressoras 3D incrivelmente precisas desenham cada um dos integrantes do universo do parque, refletimos sobre livre arbitrío, nossa humanidade barata, e que o futuro ali representando encontra-se a apenas um passo da tecnologia atual.

Só espero que, ao contrário do que foi sugerido em alguns episódios, não seja tudo parte de uma grande conspiração.

Nem em Westworld, nem aqui.

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