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Peça 'Bronca de Quê' traz novo olhar sobre síndrome de Down

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A peça Bronca de Quê, em cartaz no Teatro Sergio Cardoso em São Paulo até este domingo (24) fala de jovens por jovens e traz um novo olhar sobre o preconceito.

Com direção de Ernesto Piccolo e elenco formado por Karina Ramil, Theo Nogueira, Lorena Camparato, Darlan Cunha e Pedro Baião, a peça tem duração de apenas 60 minutos e o texto de Rogério Blat foi construído a partir de relatos dos próprios atores.

São cinco personagens de vinte e poucos anos que lidam com questões do dia a dia próprias à idade: os pais que dão atenção demais (ou de menos), o trabalho que não traz satisfação mas do qual não se pode exatamente escapar, a "patricinha" que é muito mais do que o rótulo, embora não seja vista como tal. Até que numa passeata em defesa da "Liberdade Down", que eles não sabem muito bem o que é, conhecem Guilherme, que tem síndrome de Down.

Embora curiosos a respeito do novo colega, eles não sabem exatamente como lidar com ele. Em um dos momentos, Guilherme, interpretado por Pedro Baião, pergunta:

Por que vocês estão falando assim devagar, como se tivessem algum problema na fala?

A narrativa, divertida, descontrói mitos e propõe um diálogo sobre o preconceito.

Pedro, de 26 anos, diz que se descobriu ator na primeira vez em que visitou O Tablado, no Rio de Janeiro. Ele atua há seis anos e já participou de algumas peças, como O Burguês Fidalgo, de Molière e A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmatt.

Em conversa, ele contou um pouco mais sobre a sua experiência.

HuffPost Brasil: Quando você se descobriu ator?

Pedro Baião: Na primeira vez em que visitei O Tablado. Até os 24, eu trabalhei em empresas - na área administrativa da Light e na Clínica Oncológica Integrada - até que decidi me dedicar 100% ao teatro. O trabalho em empresas é super importante mas, na cultura do teatro, nós dependemos principalmente do Governo.

De lá para cá, você fez bastante coisa...

Sim, fiz seis peças, participei dos programas de Fátima Bernardes, Mister Brown e TV Brasil. Fiz um TED Talk, onde conto sobre a minha vida, preconceitos que sofri, para deixar uma mensagem para todos os amigos e parentes, que ser diferente é comum. Falo sobre minha vó, que tem muito carinho por mim e me deu uma base.

Como foi o processo para você participar dessa peça?

Como qualquer ator, estava em busca de trabalho. Falei com o Theo Nogueira, que comentou com o Ernesto Piccolo. Ele então falou com o Rogério que faltava um quinto elemento, um elemento surpresa para os quatro jovens da peça. Contei a minha história toda para Ernesto (o diretor), sobre os preconceitos que sofri (foram três). A peça se transformou numa história sobre preconceito contra deficientes de Síndrome de Down.

Como é o apoio da família?

Eles ficam orgulhosos. Porque a família é de economistas e eu sou o único ator. Minha mãe sorri de ponta a ponta, chora e ri comigo. Meus pais e minhas avós foram um grande estímulo. Faço aula de balé, cursos de extensão para aprender mais sobre a parte técnica.

Qual a sua cena preferida na peça?

Na casa do Lupizinho. Fui o primeiro a decorar todas as falas mas hoje precisei improvisar na hora em que o chocolate cai no chão...

Qual a principal mensagem na sua opinião?

Ela traz uma nova visão. Mesmo as pessoas com deficiência podem superar e fazer tudo o que quiserem.

Cinema ou teatro?

Teatro é mais vivo - você pode ir para qualquer lado. Filme depende da câmera, que não pode correr. Mas meu sonho é fazer televisão.

Qual é a coisa mais legal de ser diferente?

O mais legal é ser livre, independente.

E o menos legal?

Minha vida foi tão para frente, tão ativa, que nem me lembro dos aspectos menos legais.

*

São Paulo é a última cidade na agenda da peça, que nos últimos meses foi encenada em Belo Horizonte, Campinas e Brasília. A estreia no Rio de Janeiro aconteceu no ano passado.

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