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Não dei 'unfollow' em algumas pessoas por causa de política. Meu motivo é outro

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"Por que as pessoas andam 'unfriending' outras [dizendo que não as querem mais como amigas] por causa de política?"

Se eu tivesse um centavo para cada vez que ouvi (ou li) essa pergunta nos últimos meses, teria dinheiro suficiente para tirar o cassino Trump Taj Mahal da falência.

As pessoas que fazem essa pergunta geralmente atribuem a decisão a uma falta de maturidade. A uma recusa abjeta em tolerar posições contrárias. A uma questão de simples política partidária.

Sabe o que eu tenho a dizer a essa gente?

Chega.

Realmente. Já chega.

Estou farta de ver gente fingindo choque e ultraje diante de pessoas que não querem continuar amigas de outras pessoas que estejam direta ou indiretamente alimentando a discriminação.

Discriminação contra gays. Discriminação contra negros. Discriminação contra pessoas de uma religião ou origem nacional diferente.

Estou farta de ver gente fingindo choque e ultraje diante de pessoas que não querem continuar amigas de outras pessoas que estejam direta ou indiretamente alimentando a discriminação.

Toda a plataforma da chapa Trump/Pence gira em torno de fazer outros indivíduos sentirem que valem menos. É divisiva. É nociva. E está em nítida oposição a todos os ideais que serviram de base à fundação deste país.

Esta eleição é diferente de qualquer outra eleição anterior, conforme foi evidenciado pela dissonância amplamente difundida que assola a base republicana. Houve desavenças inusitadas entre membros do Partido Republicano. Jornais conservadores estão endossando uma candidata democrata pela primeira vez na história de sua existência (que, em alguns casos, data de séculos atrás).

Eles estão reagindo desse modo porque querem uma democrata na Casa Branca? Ou estão repudiando o candidato de seu próprio partido porque a questão em pauta aqui transcende a política?

O bom senso indicaria que a segunda alternativa é a correta. Afinal, não é questão de opiniões divergentes sobre o código tributário. Não é questão dos mecanismos comerciais. Não é questão de planos de saúde.

É questão de humanidade.

Decência.

Moralidade.

E reduzir o que está em jogo a uma questão de política significa ter uma compreensão equivocada do próprio xis da questão (ou, então, demonstrar surpreendente apatia em relação a ele).

Em última análise, não posso e não quero ser amiga de pessoas que acham que deveríamos dedicar recursos à terapia de conversão de pessoas que "sofrem" de homossexualidade (como pensa Pence). Não vou ser amiga de pessoas para quem é tudo bem sujeitar negros a práticas que foram classificadas como anticonstitucionais, na medida em que os privam das próprias liberdades civis que nossa Constituição visou proteger (como é o caso de Trump). Não serei amiga de pessoas para quem as pessoas que seguem o islã são menos merecedoras de amor, respeito ou apoio que suas contrapartes cristãs. Não serei amiga de pessoas que falam mal de imigrantes, sendo que, sem imigrantes, nenhum de nós estaria aqui.

[Esse homem] não apenas não tem condições de assumir a Presidência como não tem condições de viver neste país, já que parece possuir um grau assustador de indiferença pelos princípios sobre os quais o país foi fundado.

E a única maneira em que tudo isso pode ser reduzido a uma questão de diferenças de posição política é você injustamente retratar o Partido Republicano inteiro como sendo formado por homofóbicos, racistas, preconceituosos e xenofóbicos, e ao mesmo tempo retratar os democratas (imerecidamente) como os únicos que estão em oposição a isso.

Não quero fazer uma generalização tão ampla.

Então da próxima vez em que você quiser fazer essa pergunta, entenda que isso não tem absolutamente nada a ver com política (o que, francamente, é uma coisa que você mesmo já deveria ter conseguido perceber, considerando que um número enorme de republicanos concorda). Isso tem a ver com um homem que não apenas não tem condições de assumir a Presidência como não tem condições de viver neste país, já que parece possuir um grau assustador de indiferença pelos princípios sobre os quais o país foi fundado. E eu não serei obrigada a continuar sendo amiga de pessoas que enxergam as tentativas contínuas dele de oprimir e discriminar como uma "consequência inconveniente" de garantir que o partido delas continue no poder.

Porque em última análise, se você não acha práticas discriminatórias inaceitáveis, se elas não inspiram em você uma dor e uma revolta tão profundas que deixam você sentindo a dor de seu próximo menos privilegiado, então eu não quero te conhecer. E eu não devia ser obrigada a isso, só porque morávamos no mesmo andar no primeiro ano da faculdade.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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