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Robinho, em dia de Robson

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(Foto: Divulgação/Atlético Mineiro)

Robson é uma ponta esquerdo voluntarioso. Marca, acompanha o lateral adversário, desarma e serve de desafogo de Douglas, o lateral-esquerdo de sua equipe. Para falar o português claro, Robson é o para-raio de Douglas. A marcação apertou, toca no Robson.

Robinho é mais conhecido. Conhecido graças a sete pedaladas em cima de Rogério, e futuro melhor do mundo, como ele dizia. Comparava-se, na época, quem seria melhor: Robinho ou Messi. O futuro virou passado, e Robinho jogou no Real Madrid, Manchester City e Milan. Teve boas atuações em todos, mas longe de ser o protagonista como disse. Na seleção, ganhou nome como peça de um "quinteto mágico", e partidas memoráveis contra o Chile. Teve boas atuações, mas longe de ser o protagonista como se esperava.

Robson, certamente, disputava em Buenos Aires o seu principal jogo dentro de um ano. Estava em plena oitavas de final de Libertadores, contra o Racing. Que jogava com 12, com as mais de 25 mil vozes ao seu lado. Robson, 32 anos, não iria tremer. Não tremeu no Camp Nou, Old Trafford e Olímpico de Roma. Talvez, um Eurico Mursa, no começo de carreira, podem ter deixado aquelas canelas finas bambando uma vez. No El Cilindro, ele já tava vacinado

Robinho, no começo do ano, era dado como certo um quarto retorno à sua casa. Robinho não quis. Não aceitou a quantia que lhe propuseram. Saiu, quem diria, da zona de conforto para tentar a sorte em Belo Horizonte. Sorte? Para alguém com a carreira dele? Sorte, sim. No Santos, ele manda e desmanda. No Galo, o papo é diferente. Ele precisa provar aos atleticanos e outros tantos que desconfiam dele o óbvio: ele pode jogar, mais uma vez, em alto nível. A desconfiança é compreensível, embora o histórico não demonstre tal dúvida. Com o adendo: ele vinha da China, de poucos jogos em campo, e de muitos no banco.

Robson levou uma entrada dura. Não ligou. Robson estava pronto para bater o escanteio e foi atingido por um isqueiro. Não ligou. Levou o objeto ao juiz e tudo se resolveu. Robson estava com a redonda em seus pés quando um jogador adversário estava no chão. Fair-play? Ele teve. Parou uma jogada de ataque. Robson não perdeu a cabeça em nenhum momento. Nem na substituição, injusta, aos 35m do segundo tempo. Foram 80m de inteligência e sabedoria.


Robinho só deu às caras em Buenos Aires quando nos lembrou de uma letra, de uma ginga de corpo, de encobrir o goleiro. Faltou uma pedalada. Robinho sem pedalada é Rivellino sem elástico. É Leônidas da Silva sem bicicleta. É Romário sem gol. É Pelé sem dar o soco no ar.

Mas Robinho não precisava ser Robinho. Precisava ser Robson. E como foi. Brilhantemente. Defendendo, tabelando, desarmando, puxando contra-ataque, servindo Lucas Pratto, e ocupando um posto de coadjuvante que o levou ao protagonismo. Inteligente para cavar uma falta, assim como servir de opção de passe para o desafogo de Douglas Costa. Sábio para evitar um clima hostil, e não criar um ambiente desnecessário para o jogo da volta.

Foi garçom de Pratto e Júnior Urso em três boas oportunidades, e iniciou uma bela trama no final do primeiro tempo que terminou com uma cabeçada de Urso triscando a trave do Racing. O camisa 7 só teve uma chance de gol: ao ganhar na corrida do zagueiro, encobriu o goleiro, mas a bola saiu ao lado da meta.

O zero persistiu no placar em virtude dos goleiros Victor e Saja, mas os holofotes deveriam ter ficado para Robinho. Ou Robson. Chame-me o como quiser. Na saída de campo, o telespectador escutou nos microfones do campo um elogio de Diego Aguirre a sua atuação: "Excelente, excelente".

O moleque, aquele das pedaladas, sabe, aos 32 anos, que não precisa ser Robinho todos os dias. Basta ser um pouco Robson para cair nas graças do torcedor do Galo.

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