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União, o segredo da reviravolta do São Paulo

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Créditos: Rubens Chiri/ Site Oficial do São Paulo

Para quem não desligou a tevê após o apito final do árbitro uruguaio Andrés Cunha, compreendeu o que tinha, de fato, mudado no grupo de jogadores do São Paulo.

Não foi somente a comemoração por chegar às semifinais da Copa Libertadores. Não foi, também, ao eliminar o Atlético Mineiro dentro do seu caldeirão, em Belo Horizonte. Foi a vitória de um grupo que, sob todas as desconfianças, alcançou uma vaga entre os quatro melhores times da principal competição da América.

Um grupo. Muito mais do que 11 jogadores correndo em campo. São os seis reservas, os suspensos, os machucados, o técnico, o roupeiro, a comissão técnica inteira. Unidos. Juntos. Abraçados, como mostraram nos instantes de euforia que protagonizaram no pós-jogo.

Não se pode esquecer o passado. Há três meses, sob vaias, o time perdeu para o The Strongest, da Bolívia, em pleno Pacaembu. Um desastre. Que aumentou ao empatar com o fraco Trujillanos, da Venezuela, fora de casa. A eliminação precoce parecia inevitável. Eis que o inesperado contribuiu: o tal fraco Trujillanos venceu o The Strongest e deixou os são-paulinos perto da classificação. A chance aumentou com uma vitória aguerrida contra o River Plate, da Argentina, no Morumbi.

O capítulo final seria decidido na altitude de La Paz a 3600 metros ao nível do mar contra o The Strongest. Drama é um termo muito aquém para contar o que aconteceu nos 90 minutos. Quando um zagueiro veste a camisa do goleiro, expulso, o filme muda para suspense com pitadas de terror quando a bola sobrevoava a área são-paulina. Tudo terminou bem, mas, antes dos trailers entrarem, houve tempo para mais uma expulsão de Calleri, o homem-gol do Tricolor.

O adversário a seguir, nas oitavas, seria o forte Toluca, do México. Forte? Líder do grupo da morte, os mexicanos eram dados como favoritos absolutos, mesmo dentro do Morumbi. Mas desconhecíamos da força, mesmo, de Paulo Henrique Ganso e companhia. Um chocolate com direito a olé foi gritado a plenos pulmões pelos 53 mil torcedores. Resultado: 4 a 0 e classificação encaminhada. A derrota de 3 a 1 no México foi, digamos, protocolar.

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Chegamos ao duelo contra o Atlético Mineiro. No Morumbi assistimos tudo, tudo menos futebol. Aos 2 minutos os jogadores já se estranharam. Foi uma prévia do que seríamos obrigados a passar no restante do jogo. À exceção do oportunismo de Michel Bastos, o 1 a 0, embora o jogo em si tenha ficado em segundo plano com o susto causado pelo acidente da grade.

Na última quarta (18), o Galo sabia que precisava do fator campo para ganhar a energia necessária e, claro, muito conhecida. Como um trator sem freios, anotou 2 a 0 em 11 minutos. Não há como não se abalar, correto? Errado. O São Paulo, da derrota do Pacaembu na estreia, tinha virado história. Quatro minutos depois, o zagueiro Maicon tirou o zero dos visitantes e, mais uma vez, deixou o Tricolor classificado.

Mas... Faltavam 75 minutos. De bagunça, correria, empurra-empurra, agressões, bolas na trave, goleiros salvando, e ansiedade. Este último fator exclusivo aos atleticanos. Aos 20 minutos do segundo tempo, o time começou a alçar bolas na área no desespero. No famoso bumba-meu-boi. Poderia dar certo, como muitas vezes dá. A desorganização mascarada de ansiedade foi a chave da derrota dos mineiros, que encontraram um São Paulo, maduro, organizado, paciente e, quem diria, consciente. Soube acalmar e ter a posse de bola, assim como especular nos contra-ataques, e evitar jogadas do Galo dentro da sua área - à exceção dos cruzamentos, inúmeros e inevitáveis.

Conseguiu. Conseguiram. O braço erguido de Bauza, o técnico, na direção da torcida, além do choro de Mena comovem. O abraço, os abraços, os incontáveis abraços mostram força. De um grupo que está unido, e de um time que já tinha sido eliminado na fase de grupos. E está nas semifinais como único brasileiro na competição.

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