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A esquerda que idolatra um cuspe e a direita que venera um torturador

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JEAN BOLSONARO
Luis Macedo/CâmaraDosDeputados/FotosPúblicas
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Eu penso que Jair Bolsonaro conseguiu sair vencedor da "peleja de domingo", em relação ao cuspe de Jean Wyllys.

Mas antes que você pense qualquer coisa, cabe um adendo: Bolsonaro e Wyllys são lados diferentes da mesma moeda.

Ao meu ver, são políticos sem nenhuma aptidão teórico-prática ao cargo, que caíram ali por diferentes motivos.

Bolsonaro graças ao 600 mil reacionários concentrados entre as Avenidas Vieira Souto e a Delfim Moreira, enquanto Wyllys graças ao segmento LGBT e outros simpatizantes com suas posições políticas.

Ambos utilizam-se da desenvoltura que têm para, literalmente, "jogar com a galera". Como extremistas de cada lado querem ganhar a audiência e paixão do seu eleitorado com o intuito de fundamentar ainda mais seus mandatos, ainda que não agreguem nada em termos de leis e gestão da casa.

É que profissionais de comunicação e de marketing, como eu, prezam pelo politicamente correto, mas a tática de "chocar para emocionar" o público é um artifício paleozóico na construção de imagem: vide o que pôneis malditos, primeiro soutien, Coca x Pepsi, Apple e Benetton fizeram ao longo dos anos.

Parte teórica posta, vamos aos fatos:

É claro que o discurso odioso de Bolsonaro foi um acinte, passível de punição por fazer apologia a um crime sem palavras que é a tortura.

Citar Ustra como o "pavor" de Dilma foi inaceitável - ainda que, adivinhe, seus 600 mil representados possam vibrar com sua declaração. Ele jogou para a galera.

Já Wyllys fez um discurso protocolar, dentro do que se esperava: criticou Cunha, chamou o Congresso de sexista, afirmou que era contra o golpe. Nada exatamente novo, mas dentro do seu eleitorado esperava ouvir dele.

O problema é que, a partir do momento que você parte para a agressão física, independente se foi provocado ou não, e o faz de forma premeditada, qualquer justificativa se torna nula, uma vez que a racionalidade foi para o espaço.

Jean Wyllys perdeu a chance de um cheque-mate definitivo no seu antagonista ao comportar-se de forma quase que infantil.

Uma pena.

Se Jean Wyllys encarasse Jair Bolsonaro de frente naquele instante, seu repertório de professor universitário, ainda que com pitadas de demagogia de esquerda, venceria o ralo discurso do outrora militar. Mas ele preferiu apequenar-se.

E isso me faz lembrar, ao chegarmos ao final do texto, de dois pontos finais breves:

1. A esquerda representada por um cuspe e a direita que aplaude a reverência a um torturador podem saber de muita coisa, menos do que realmente significa ser de esquerda, ou ser de direita e como podem, juntos, criar um Brasil melhor.

2. Ainda o Brasil mereça uma chance de voltar a crescer com uma eventual mudança de poder, pensar na corja que está no Congresso me remetem - veja só - à justificativa de voto do Eduardo Cunha no domingo da votação do impeachment:

"Que Deus tenha misericórdia da nossa nação."

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