Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

João Gabriel Chebante Headshot

Do choque à redenção: Os desafios do presidente em exercício

Publicado: Atualizado:
MICHEL TEMER
ASSOCIATED PRESS
Imprimir

O Brasil acordou diferente nesta quinta-feira (12): com 55 votos favoráveis, Dilma Rousseff e o PT são interditados do controle do Executivo depois de 13 anos na gestão do País.

É um momento para comemorar? Sim, uma vez que temos uma mudança definitiva de agenda: finalmente a política cumprirá seu papel de construir uma agenda positiva ao País, independente do espectro: econômico, social ou regulatório.

Ao mesmo tempo o afastamento de Dilma deve animar os mercados, proporcionar um rally de queda do dólar, aumento dos investimentos de empresas no País e, como conseqüência no final do processo, melhora do ambiente para negócios no País.

Mas ao mesmo tempo que temos uma mudança de humor, é hora de ficar atento e na marcação dos primeiros passos da gestão de Michel Temer.

Eu acredito - e vejo que o mercado pensa na mesma coisa - que Temer tem cerca de 80-90 dias para dizer a que veio. Como falamos no mundo dos negócios, uma nova gestão precisa rapidamente impor seu ritmo e tom de trabalho para solidificar sua capacidade de execução e ganhar a confiança dos seus líderes - nesta caso, a população.

A este movimento, usamos o termo "choque de gestão".

E por que 80-90 dias? Pois trata-se do período que compreende o intervalo entre o seu embarque na presidência e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A posteriori disso, cerca de 30% do Congresso + Senado estarão focados nas eleições municipais - direta ou indiretamente. E aí acabou o ano.

Joga a favor de Temer o fato de ter mais de 2/3 de Congresso e Senado para rolagem das suas reformas - e temos algumas duras a realizar, como da economia, trabalhista, previdênciária e tributária. O governo mostrou sua incompetência na gestão de seus ativos e quanto menor, mais enxuto e eficiente, melhor a todos (e menos dinheiro para a corrupção) - inclusive para os programas sociais.

Desta forma, ainda que com alguma dificuldade, teremos algumas mudanças que agradarão o mercado e darão um norte para o país economicamente - a chancela para retorno dos investimentos, grau de investimento, empregos, renda e crédito. Enfim, o ambiente para negócios e trabalho do país irá melhorar, a duras custas e no longo prazo, mas a simples mudança de poder e agenda (agora não mais 100% focada na não-sobrevivência política de Dilma) já deve animar o mercado.

Por outro lado, Temer tem como desafio lidar com um país que ainda vive em estado de pólvora: a Lava-Jato e uma potencial crise correlata no BNDES com base na delação de Marcelo Odebrecht pode trazer ainda mais a política para o cerne da crise econômica do país, com desdobramentos impossíveis de mensurar neste instante - tanto que seu nome foi citado como beneficiário do esquema de corrupção mais de uma vez. Também terá de encarar o PT de volta ao papel de oposição federal, e que fará de tudo para "melar" os avanços que o Brasil precisa no curto prazo. E ainda tem o TSE e seu processo com potencial para caçar a chapa - ainda que neste ponto a saída de Dilma deve esmorecer os esforços.

Temer é um cara bem estratégico, que evita ao máximo dar passos sem racionar as conseqüências. Não tem o temperamento explosivo e centralizador da sua antecessora, e isso é importante porque ele não terá mais que 72h de "lua de mel". Situação e oposição, o povo e o mercado, correrão atrás de resultados para reinventar o país, dar força ao combate à corrupção e mover as correntes da economia.

Pessoalmente, vejo com bons olhos a mudança. Precisamos ver uma mudança de agenda, de ânimo sobre ser brasileiro e gerir nosso país. A oportunidade veio. Cabe ao presidente Temer fazer a sua dura lição de casa. E ao povo, independente do lado que estejas, cobrar.

Talvez este seja um dos grandes legados da crise política: voltamos a cobrar. E espero continuarmos assim.

LEIA MAIS:

- Este é o nosso momento mais frágil da nossa democracia

- Os números não mentem: uma análise sobre Dilma versus panelaço

- Por que eu sou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff

Também no HuffPost Brasil:

Close
Conheça os ministros do STF
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual