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Rolando Massinha não usa gasolina Petrobras

Publicado: Atualizado:
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Mark Mawson via Getty Images
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É muito bom estar de volta ao Brasil Post!

Me motivou para escrever novamente o seguinte vídeo:

Tive a sorte de conhecer o Rolando Massinha durante uma festa de colegas de faculdade ao lado da sua famosa Kombi, uns 5 anos atrás. Era a refeição perfeita para o "after", que era bem divertido e open bar. Em 2013 estava começando minha trajetória empreendedora e nos conhecemos de fato, e em sua biografia (feita pela Ed. Évora), tive a sorte de ser responsável pelo prefácio, junto com o Alex Atala e sua filha.

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Estudando o caso dele - ele não sabe, mas sempre o cito em minhas aulas de inteligência de mercado e gestão de marcas - vejo dois pontos nevrálgicos para o seu sucesso: a "mão" em todo o processo de confecção dos seus pratos e sua personalidade única, transmitida desde a inauguração da primeira Kombi, em 2007, até o perfil dos seus colaboradores e do serviço.

Por isso, ao saber da sua entrevista ao Conta Corrente, da Globo News, não me surpreendi com a resposta "bombástica" (ao ponto deles não subirem ao ar no portal G1). O sentimento dele de sair do país com a venda da empresa não é uma novidade: não raro temos empreendedores/empresários de sucesso fazendo movimentação parecida. Um dos principais exemplos é Flávio Augusto, que fundou a Wise Up e achou no Orlando City Soccer Club sua nova etapa empresarial baseado na Florida.

2015-02-09-entrevista_flavioorlando.jpg

Mas o que faz um empreendedor/empresário pensar em tal movimento?

Gosto de dizer aos meus clientes e em palestras que o Brasil é o país da oportunidade. Poucas nações dispõem de ascensão social como aqui, talvez só a Coréia do Sul. Muita da nossa crise hídrica vem do reflexo daquela máxima de Pedro Vaz de Caminha, que "em se plantando, tudo dá."

Mas o brasileiro possui em seu trunfo a chave da sua miséria: é no jeitinho que reside o jogo-de-cintura que o faz empreendedor de sucesso, ao mesmo tempo que o atrasa. O excesso do "me ajuda que te ajudo", de conluios escusos, de dificuldade que uns implementam para outros, gargalos tributários, financeiros, logísticos, trabalhistas. Tudo isso torna o que seria o melhor ambiente de negócios do mundo em um dos mais desafiadores.

(E isso que não estou falando da crise que engoliremos em 2015, por conta da falta de gestão ocorrida em anos anteriores. Esta é só a cereja do bolo de algo muito maior).

É aqui que entra a Petrobras: gerir a maior empresa nacional como uma plataforma de beneficiamento coletivo entre empreiteiras, políticos e interessados em qualquer país do mundo é crime de lesa-pátria; um patrimônio do cidadão brasileiro operado por interesses próprios. A empresa que tinha tudo para ser algo como a Apple ou Google do seu mercado, pela soma expertise, pesquisa & desenvolvimento mais a oportunidade de mercado do pré-sal resumido hoje a uma organização acéfala e, se não conseguir reportar o valor da roubalheira a tempo, em semanas de tecnicamente entrar em processo falimentar.

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O que ocorre na Petrobras é, em escala midiática, o que ocorre todos os dias nos desafios que caras como Rolando Massinha precisa superar para ter seus quase 10 carros e sua causa/propósito que é a boa e barata comida de rua, a cada dificuldade de levar seu negócio ao público consumidor, a cada imposto que não tem o devido retorno em benefícios ao empresariado. Ainda que você vença a batalha, as pancadas do combate vão doer no dia seguinte.

Por isso que respeito o discurso dele, ao contrário de colegas (inclusive do Brasil Post) que o criticaram veementemente por não defender o empreendedorismo, o país. Sua resposta é um reflexo do cenário que temos por aqui, ainda que seja de uma minoria descrente que de qualquer mudança.

E talvez nunca mude mesmo - o jeitinho é a gênese do nosso DNA de marca, nosso principal valor. Negligenciar o jeitinho é anular o brasileiro; resta alocar este talento para bons propósitos, mas o ser humano tem sede por poder, dinheiro e status, logo não há como ser Poliana. Como dizia um chefe quando trabalhei para uma das empresas indiretamente envolvidas na Lava-Jato "Don't hate the player, hate the game."

Se ambos os slogans fosse alvo de uma premiação, "ame ou deixe-o" de 1975 é mais assertivo à marca em questão que a "nação educadora" de 2015. Uma pena.

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