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As crianças precisam entender o que é empatia e bondade dentro da escola

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Klaus Vedfelt via Getty Images
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Outrora, era na quarta série que as meninas sentiam mais dificuldade em lidar com as amizades. Por muitos anos, trabalhei em uma escola para crianças com dificuldades de aprendizagem.

Era sempre durante a quarta série que as amizades feitas previamente começavam a sofrer turbulências. Palavrões eram ditos. A fofoca se espalhava. Sentimentos feridos.

Os professores sempre tinham que lidar com o pior de tudo, é claro, pois as lágrimas, as caras feias e os comentários sarcásticos que mal se ouviam, encontravam uma forma de aparecer justamente na hora em que os professores começavam a ensinar.

Em certos dias, as meninas resolviam suas próprias questões e as que antes eram melhores amigas agora faziam as pazes antes até que os ônibus escolares fossem para a garagem. Em outros dias, o impasse continuava até que todos os alunos saíssem da escola.

Era um sistema complicado esse de amizades feitas e desfeitas, bem antes até, de que as redes sociais trouxessem esses conceitos até nós. Desesperados para pôr um fim às alianças pouco estáveis e choros de meninas que se escondiam nos banheiros quando deveriam estar estudando matemática, alguns professores pediram que eu intervisse. Foi isso que fiz.

Comecei um clube da amizade. A propósito, é assim que nós o chamamos. Algumas meninas até fizeram cara feia, sem dar muito crédito ao nome, mas na verdade elas ficavam entediadas com as brincadeiras na hora do intervalo/lanche e felizes de se unirem a mim na biblioteca uma vez por semana para falar sobre amizade.

Nós brincamos e criamos jogos enquanto conversávamos e eu gastava a melhor parte do tempo nesses encontros ensinando as meninas sobre empatia e bondade. Porque até mesmo na quarta série, as crianças precisam de lições nesses dois assuntos tão importantes.

Poucas semanas após formar o grupo, algo maravilhoso aconteceu. As meninas começaram a compartilhar com as outras o que sentiam. Elas começaram a falar das coisas que as perturbavam e as que as deixavam felizes.

Uma menina ensinava outra a costurar. Duas garotas que pensavam que não tinham nada em comum tornaram-se melhores amigas. Quando as meninas paravam de julgar e começavam a ouvir e ter empatia, elas se sentiam empoderadas.

E as atitudes das garotas malvadas que costumavam ameaçar o bem-estar emocional e acadêmico se tornou algo do passado. Imagine só!

Toda aquela evolução ocorreu porque alguém decidiu passar um tempo com elas, para ajudá-las a aprender sobre a empatia e se relacionar. Alguém lhes mostrou uma melhor forma de estabelecer e lidar com as amizades.

Não foi perfeito e não aconteceu após uma semana, mas aconteceu.
Infelizmente, o último estudo do Centro de Pesquisa PEW mostra que coisas como empatia e bondade não são prioridade na lista de características que os pais consideram importantes ensinar aos filhos.

Os pais, aparentemente, estão muito mais interessados em educar seus filhos para que eles sejam "batalhadores" e "responsáveis" do que para serem amáveis e empáticos. É uma pena, realmente, porque as crianças aprendem bem mais sobre o trabalho e ser responsável assim que entram na escola, mas coisas como empatia e bondade deveriam começar em casa.

Se você quer acabar com o comportamento "agressivo" das garotas, se quer acabar com o bullying baseado em julgamento, ciúme e fofoca, precisamos ensinar essas meninas a se relacionarem.

Temos que mostrar como fazer amizades saudáveis, não ouvir apenas por ouvir (apenas para dar uma resposta engraçadinha), e como dar apoio no seu caminho.

Todas as crianças têm seus pontos fortes e, no entanto, nossa cultura celebra a ideia de se encaixar. Nós até podemos dizer a elas que saiam por aí e sejam únicas e ao mesmo tempo enviá-la a um mundo onde se identificar com um grupo ou os outros é essencial.

Sem um grupo, as crianças se sentem perdidas. Mas a dinâmica do grupo pode enganar e criar problemas para muitos.

Embora seja perfeitamente normal para as meninas escolherem garotas com quem tenham interesses em comum, também é importante ensinar às nossas meninas a celebrarem as diferenças e ver o lado bom nos outros.

Com feedback constante sobre a bondade e empatia, nós podemos educar uma geração de meninas, invertendo a tendência do comportamento de garotas malvadas que parece aumentar a cada ano que passa. Nós podemos fazer a diferença.

Empodere-as para ajudar. O apoio competitivo dos pais não só é tóxico para os pais presos na corrida para a linha de chegada, sabe, mas também impacta negativamente os filhos que testemunham a competição.

Pare de competir. Sua família é sua família e não importa o que as outras famílias estejam fazendo. Sua filha pode acabar em Harvard. Ou pode acabar indo para uma universidade estadual. Ela pode ser tornar uma dançarina, artista ou professora. Seu trabalho não é moldá-la em alguma versão de perfeição, seu trabalho é apoiá-la e estabelecer metas e sonhos para ela mesma.

Em vez de se concentrar no desconhecido, empodere sua filha a ajudar uma amiga que precisa. Empodere-a ter um papel na mudança dentro da comunidade e pensar sobre o bem-estar dos outros em vez de pensar se os outros estão ou não se desempenhando tão bem quanto ou, até mesmo, melhor do que ela, em qualquer tipo de tarefa.

Mate o sarcasmo. Eu ouço muito sarcasmo entre pais e filhos. Os pais usam o sarcasmo quando estão cansados, frustrados ou simplesmente quando estão com raiva. É doloroso.

Deixa os filhos confusos, chateados e indefesos. É ruim para a alma. E, no entanto, os pais continuam usando, frequentemente na frente de outras crianças e adultos.

Pare de usar o sarcasmo como forma de comunicação com sua filha. Ela pode não entender tudo neste momento, mas ela irá internalizar e repetir. Ela vai usar isso na sua própria fala e vai acabar ferindo outras pessoas mais adiante.

Diga o que quer dizer. Seja clara. Fale sobre seus sentimentos e seja o modelo de empatia. Confie na comunicação honesta. Se fizer isso, sua filha aprenderá a fazer o mesmo.

Crie um grupo positivo para as meninas. Você não precisa ser coach da equipe de basquete da sua filha para ajudá-la e ajudar as suas amigas a fazer amizades saudáveis e positivas.

Crie um grupo de livros ou de costura. Comece um clube de corrida. Considere um grupo de escrita criativa. Consistência é a chave para ajudar as meninas a navegarem os sentimentos tumultuosos que acompanham o fazer e manter amizades.

Encontre algo ou coisas que chamem sua atenção e faça com que o grupo de amizades aconteça pelo menos uma vez ao mês. Dentro da segurança desse grupo, sua filha e suas colegas aprenderão a ouvir e ter empatia, a se apoiarem e ficarem juntas sem importar quais obstáculos virem até elas.

E são essas as lições que valem ensinar.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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