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Gregório Duvivier e o 'raio problematizador'

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DESCULPE O TRANSTORNO
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Na segunda-feira (12) um assunto dominou as redes sociais: a coluna publicada pelo Gregório Duvivier na Folha de São Paulo.

A coluna, onde Gregório falava sobre seu amor e sobre a relação que teve com a ex-esposa, Clarice Falcão, primeiramente emocionou milhares de pessoas. Pouco depois começaram as problematizações, como as acusações de que o autor estava sendo machista ou de que estava abusando de seus privilégios enquanto homem-branco-rico.

O amor romântico é ridículo. Eu choro com cartas e filmes de amor, mas reconheço o quanto são, muitas vezes, inúteis. Mas apedrejar uma pessoa que expõe o que sentiu pela ex-mulher, e que deixa a mensagem de que amar é deixar ir, é mais inútil ainda.

Muitas pessoas acusaram a coluna de ter sido um "golpe" de marketing para promover o novo filme de Gregório, Desculpe o Transtorno, que também é estrelado por Clarice.

E se foi marketing, qual o problema? A boa bilheteria do filme vai ser bom pra ele, e também para ela, suponho. E quem disse que ela não foi consultada antes do texto ser publicado? É apenas uma suposição, assim como também foram várias as suposições de quem o criticou. Suposições.

Li e reli o texto e não percebi a exposição de uma ex-esposa. Percebi um homem falando abertamente sobre seus sentimentos, e sendo grato pelo que passou. Passou. Raro isso nos homens, né? Recriminamos tanto que eles não falam do que sentem ou sentiram, vivem ou viveram.

Outras pessoas também acusaram Gregório por ser privilegiado ao poder falar da ex-esposa na coluna no jornal. Sim, é com certeza um privilégio, assim como vários outros que ele possui. Homem, branco, classe média alta (ou rico), hétero e cisgênero. Gregório tem muitos privilégios. Mas no que isso o impede de poder falar sobre o que quer na sua coluna semanal?

Então ele não vai mais falar sobre sua vida pessoal? Ele não vai mais escrever sobre alguém que ele amou (e talvez ainda ame)? Ele não vai mais falar sobre todas as coisas desnecessárias que ele sempre fala, mas que nós lemos toda semana?

Eu tenho críticas a algumas coisas que o Gregório já escreveu ou já filmou no Porta dos Fundos. Dar rosas pra polícia? Não querido! Roteirizar vídeo com piada sobre travesti? Com certeza não!

Aliás, críticas é o preço que se paga pela grande exposição. Quanto mais você dá closes certos, mas as pessoas ficarão atentas aos seus closes errados.

Mas o raio problematizador das redes sociais precisa de um controle. E esse controle pode ser chamado de bom senso.

Amores vem, amores vão. As vezes as pessoas apenas seguem, e outras vezes elas escrevem sobre isso. Diversos autores, escritores e cronistas já escreveram sobre seus amores passados. Agora o Gregório.

É obvio que, infelizmente, o peso dado se uma mulher tivesse escrito esse mesmo tipo de texto, seria outro. Seria um peso muito maior, e com muito mais críticas. Mas não é crucificando o Gregório, ou qualquer outro homem que fale de seus sentimentos, que vamos resolver essa equação machista.

Vamos deixar nossas implicâncias pessoais de lado só um pouquinho? Custa quase nada.

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