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Suicídio de jovens indígenas é destaque em fórum da ONU

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Jovem participante do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas. Foto: ONU/Manuel Elias

Terminou esta sexta-feira (20) mais um Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas. O evento de duas semanas ocorre todos os anos na sede da organização, em Nova York, com a participação de mil indígenas, representantes de ONGs e governos.

Um dos temas tratados nos debates foi o suicídio entre os povos nativos. Quem veio à ONU apresentar dados foi a representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Mato Grosso do Sul, órgão ligado ao Ministério da Saúde.

A apresentação de Fabiane Vick focou especificamente nos casos que ocorrem na comunidade Guarani-Kaiowá, a "população indígena que mais comete suicídio em todo o território brasileiro".

Segundo ela, ocorreram 45 casos no ano passado, sendo 61% entre jovens de 10 a 19 anos de idade. Em conversa com a Rádio ONU, a especialista revelou que o pior caso foi o de um menino Guarani-Kaiowá de apenas sete anos. A maioria opta pelo enforcamento.

Fabiane Vick explica que os homens são os que mais se suicidam entre os Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Segundo a representante da secretaria estadual, os jovens indígenas estão se matando devido "ao choque cultural, devido à proximidade das aldeias dos centros urbanos e falta de perspectiva de vida".

Segundo ela, muitas famílias entram em crise por causa da pobreza e há casos de crianças abandonadas, já que os pais buscam emprego em outros lugares. O trabalho de Fabiane Vick está voltado para a prevenção e intervenção das tentativas de suicídio.

Esses trabalhos contam com a atuação de psicólogos, professores das escolas índigenas, rezadores tradicionais e líderes das aldeias.

A situação dos indígenas é uma grande preocupação da ONU, que busca promover os direitos dos povos nativos. No encerramento do Fórum, o secretário-geral Ban Ki-moon, pediu mais reconhecimento e respeito à identidade e direitos dos indígenas.

Segundo Ban, a ONU tem um plano de ação amplo sobre o grupo, que está integrado na Agenda 2030 e participou das negociações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris sobre o Clima.

O secretário-geral afirma ser crucial que os indígenas continuem participando e supervisionando a implementação desses documentos. Uma outra preocupação de Ban Ki-moon são os conflitos sobre demarcação de terras s e falta de inclusão desses povos nos processos de paz.

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