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As batalhas perdidas de Dilma e os desafios da esquerda pós-impeachment

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DILMA ROUSSEFF
ASSOCIATED PRESS
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Na guerra que se estabelece em torno do processo político bem se sabe que, para sagrar-se vitorioso, é preciso saber escolher quais são as batalhas prioritárias. Lutar em vários fronts ao mesmo tempo ou escolher inimigos fortes demais para serem derrotados é uma estratégia suicida. No entanto, é preciso também que a escolha dos aliados seja feita de forma cautelosa, pois, mesmo lutando em poucas frentes e contra inimigos relativamente mais fracos, é preciso de apoio para obter as vitórias.

Olhando o governo Dilma em perspectiva, em especial o primeiro mandato, quando ela gozava de boa popularidade e de um cenário político e econômico relativamente favorável, fica claro que a presidente soube escolher suas batalhas, mas selecionou muito mal aqueles que ela imaginou que poderiam cerrar as fileiras ao seu lado.

Hoje, praticamente todos os seus supostos aliados lutam por seu impeachment.

No início do primeiro mandato, Dilma apontava suas armas em três direções principais: a queda dos juros e a consequente retomada de um projeto de desenvolvimento industrial; o combate a práticas políticas que ela considerava danosas ao Estado brasileiro, apelidado por ela de "malfeitos"; e o acerto de contas "sem revanchismo" com o período da ditadura militar.

Essas batalhas colocavam do outro lado inimigos bastante poderosos, como era de se esperar: o chamado "capital financeiro", setores importantes da classe política, que perdiam espaço e prestígio, e parte das forças armadas que não desejavam ver as atrocidades praticadas na ditadura expostas publicamente.

Fica claro que a presidente soube escolher suas batalhas, mas selecionou muito mal aqueles que poderiam cerrar as fileiras ao seu lado.

No primeiro front, Dilma nomeou um funcionário de carreira para a presidência do Banco Central, e não um operador do mercado financeiro como era praxe, e manteve o relativamente heterodoxo Guido Mantega na Fazenda. As brigas na redução dos juros e do spread bancário já no primeiro ano de seu mandato são provas de que ela não mediria esforços para alcançar seu objetivo.

No segundo, nomeou um ministério composto muito mais por "técnicos" do que por "políticos" e operou uma "faxina" em diversos órgãos públicos, demitindo políticos e apadrinhados dos primeiros escalões do governo e de empresas públicas. Bastava uma simples suspeita de corrupção lançada pela imprensa que Dilma não pensava duas vezes em demitir o subordinado.

Hoje sabemos pela delação do senador Delcídio Amaral - com a ressalva de que sobre ela devem ser lançadas todas as suspeitas possíveis - que Dilma também fez uma espécie de faxina em Furnas, onde um longo esquema de propinas operava. E, por mais que seus críticos tentem negar, a maioria dos diretores da Petrobras envolvidos na Lava Jato já tinham sido demitidos por ela muito antes da operação ter início.

Por traços de sua personalidade ou por convicções morais, Dilma rejeitou também participar pessoalmente da pequena política, baseada em troca de afagos públicos ou privados com políticos que buscavam massagear seus egos ou aumentar seu prestígio junto ao eleitorado, ao mesmo tempo em que contingenciou em quase todos os anos de seu mandato a maior parte das emendas parlamentares, importantes fontes de corrupção, mas também mecanismo fundamental para deputados e senadores garantirem apoio de suas bases eleitorais.

Finalmente, em sua terceira batalha, Dilma criou, empoderou e deu autonomia para a Comissão Nacional da Verdade.

Por si só, enfrentar esses três interesses poderosos e bastante consolidados na sociedade brasileira não seria tarefa fácil, mas tendo a acreditar que, se Dilma tivesse feito uma escolha de aliados mais adequada, poderia ter obtido melhores resultados em sua empreitada. Entre essas três iniciativas, apenas a Comissão da Verdade prosperou sem, contudo, avançar um milímetro em uma possível punição para torturadores e para os que cometeram crimes contra os direitos humanos. De qualquer modo, o desnudamento de documentos e a coleta de importantes depoimentos de agentes estatais e de presos políticos ao longo da ditadura militar pode ser considerada uma vitória de Dilma nessa frente de batalha. Assim, darei menos atenção a esse ponto nas próximas linhas.

Para lutar nos demais fronts, Dilma buscou se apoiar, por um lado, na chamada grande mídia, ao debelar qualquer tentativa de democratização dos meios de comunicação, como defendia boa parte do PT. A presidenta acreditou também que poderia conquistar o apoio de setores da classe média tradicional, que sempre tiveram no combate à corrupção uma de suas principais bandeiras. Finalmente, Dilma buscou se aliar em setores do empresariado industrial, com uma política industrial mais agressiva e desonerações fiscais para diversas áreas.

Além desses novos aliados, Dilma esperava manter de pé o pacto lulista, garantindo apoio junto aos setores mais pobres da sociedade brasileira e que haviam conquistado importantes ganhos materiais graças aos programas sociais, ao aumento do nível de emprego e dos salários e mais acesso ao crédito e a bens de consumo. Finalmente, ela esperava manter o apoio ativo dos setores que tradicionalmente formaram a base social do PT, tais como sindicatos e movimentos sociais diversos.

O cenário parecia promissor. Se desse certo, o plano de Dilma derrubaria os juros, reduziria a corrupção, aumentaria o crescimento econômico e a inclusão social. Tudo isso com uma cobertura altamente positiva por parte da imprensa, afinal, essas eram também as pautas que boa parte dos veículos defendia publicamente havia tempos. De quebra, Dilma ainda preencheria uma importante página na história do País ao trazer à tona os crimes e abusos cometidos na época da ditadura.

A realidade, como sabemos, não foi tão generosa assim. Apesar dos relativos avanços da Comissão da Verdade já mencionados acima, Dilma colheu insatisfações no campo político e a corrupção seguiu operando em larga escala. Além disso, ela terminou o governo com juros tão elevados quanto quando começou, obteve taxas de crescimento na economia relativamente baixas e sofreu pesados ataques da grande mídia, sobretudo a partir da segunda metade de seu primeiro mandato.

O que deu errado?

eduardo cunha michel temer

Como disse acima, tendo a acreditar que os erros de Dilma estão muito mais concentrados na escolha de seus aliados do que propriamente de seus adversários. Não que derrotar os interesses do capital financeiro, das oligarquias políticas e acertar as contas com a ditadura militar fosse tarefa simples. No entanto, ao contar com o suporte de setores que não tinham interesse em lhe apoiar e alijar outros que poderiam ter lhe servido como base de sustentação política e social, Dilma jogou fora qualquer chance de vitória.

Trata-se, portanto, de uma leitura equivocada, por parte do governo, da correlação de forças sociais e, mais do que isso, de uma compreensão mal direcionada a respeito de quais interesses operam na sociedade brasileira.

Começando pelo que chamaria de possíveis novos aliados que o governo Dilma esperava contar, isto é, a mídia tradicional, as classes médias e o empresariado industrial.

Em que pese a proliferação recente de veículos, sobretudo virtuais, com conteúdo mais progressista, a grande imprensa no Brasil sempre foi conservadora, seja por questões ideológicas - uma vez que suas ações e seu pensamento não podem ir além dos limites postos à classe social que representam - seja por questões materiais - suas relações de dependência econômica estão ligadas ao setor privado que sustenta os grandes veículos de comunicação.

Não é coincidência o fato de que a quase totalidade das notícias de economia têm como fonte algum economista ligado aos bancos ou ao setor financeiro, raros são os professores universitários com pensamento heterodoxo que têm espaço no noticiário cotidiano. Para piorar, ao fazer uma opção de não enfrentar os interesses da mídia, Dilma perdeu a simpatia de blogueiros e ativistas da internet que, apesar de apoiadores dos governos do PT, relativizaram seu suporte à presidenta.

O abandono da pauta de democratização dos meios de comunicação, que poderia alterar a correlação de forças na esfera pública, mostrou-se, portanto, um grande equívoco do primeiro governo Dilma.

Ainda que o apoio dos setores mais pauperizados tenha se mantido, a insatisfação, ou no mínimo o desconforto com o governo foi crescendo.

Com relação aos setores médios da sociedade, seu erro foi achar que a classe média tradicional se contentaria com o discurso da faxina na política. Apesar de sua agenda simbólica apontar para a moralização da política e a economia de recursos públicos, esses setores também almejam ganhos concretos, e nos governo do PT isso não aconteceu ou foram insuficientes.

Como a boa sociologia nos ensina, a classe média quer aproximar seu padrão de consumo e seus hábitos de vida das classes altas, como quando podia desfrutar das benesses de uma moeda sobrevalorizada, podendo viajar para o exterior e comprar produtos importados a um preço mais acessível.

Durante os governos do PT, o que aconteceu foi justamente o oposto: as classes mais baixas é que tiveram mais acesso e conseguiram se aproximar, ainda que de forma lenta, dos padrões de consumo das classes médias. Além disso, a própria agenda moralizadora de Dilma revelou-se insuficiente, uma vez que o problema da corrupção no Brasil é muito mais sistêmico do que dependente da conduta de meia-dúzia de indivíduos.

Finalmente, no que se refere ao empresariado industrial, o governo Dilma se equivocou ao acreditar que os interesses do setor industrial seriam separáveis dos interesses do setor financeiro. Há décadas economistas apontam para a intensa imbricação entre aqueles que lucram produzindo e os que obtêm seus ganhos apenas por meio da especulação financeira. No Brasil, acostumados com juros altos e consumo restrito a uma parcela relativamente pequena da população, boa parte dos empresários industriais aprenderam a tirar proveito dos títulos da dívida pública para maximizar seus resultados.

Ademais, a manutenção dos níveis de emprego em patamares relativamente elevados viria a desequilibrar o jogo distributivo para o lado dos trabalhadores, que obtiveram ganhos reais em seus salários ao longo de praticamente todo o governo Lula e boa parte do governo Dilma, o que passou a incomodar o setor empresarial como um todo.

Por outro lado, entre os velhos aliados do petismo, o padrão de Dilma foi a negligência e a falta de atenção para com suas novas demandas. A presidenta parecia acreditar que deixar tudo como havia herdado do governo Lula sem novos avanços, sem novas conquistas e sem dar a devida atenção política a suas lideranças seria suficiente para manter o edifício lulista de pé.

Ainda que o apoio dos setores mais pauperizados tenha se mantido, a insatisfação, ou no mínimo o desconforto, com o governo Dilma foi crescendo progressivamente. Setores ligados a direitos humanos - mulheres, negros, população LGBT - viram suas lutas paralisadas devido à falta de iniciativa do governo nessas áreas e até mesmo o abandono de pautas presentes no terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).

Do mesmo modo, moradores de regiões periféricas das grandes cidades vivenciaram uma piora na sua qualidade de vida ligada ao cotidiano na cidade nos últimos anos, em que pese os ganhos econômicos dessa população na última década. Além disso, a promessa de chegada a padrões de renda e consumo típicos de classe média nunca se concretizou para a ampla maioria das pessoas que tiveram alguma ascensão social no período dos governos petistas.

Entre sindicatos e outros movimentos que sempre apoiaram o PT desde sua fundação havia um nítido descontentamento, em especial por parte das lideranças desses movimentos que reclamavam da falta de diálogo junto ao governo federal comparativamente ao governo Lula.

Dilma abandonou todo o projeto que havia concebido para seu governo e resolveu adotar o programa daqueles que tinham inviabilizado seu projeto inicial.

O resultado desse jogo foi um lento esfacelamento do pacto lulista e uma ausência de um novo pacto que pudesse dar sustentação ao governo Dilma. Os velhos aliados do projeto lulista e petista foram se mostrando insatisfeitos e boa parte deles expressou essa insatisfação nos movimentos de junho de 2013, enquanto os novos aliados simplesmente faltaram ao encontro.

Os "cinco pactos" que Dilma anunciou após as manifestações de 2013 se revelaram muito mais como declarações de intenção unilaterais por parte do governo federal de políticas genéricas que pouco ou nada afetavam as demandas concretas dos que se mostravam descontentes naquele momento. Alguns deles, como a constituinte exclusiva para a reforma política, sequer tiveram uma semana de vida.

Havia ainda um ator ausente nos cálculos do governo Dilma. Quem iria lhe prestar apoio político em um Congresso Nacional dominado por interesses paroquiais e que se acostumou às práticas clientelistas e corruptas?

Dilma não se preocupou, nem nas eleições municipais de 2012, nem nas de 2014 em impulsionar uma elite política que fosse mais alinhada ideologicamente ao seu projeto ou que ao menos adotasse métodos mais republicanos na negociação política. Pelo contrário, quando se preocupou com a governabilidade, o fez incentivando o velho padrão das práticas políticas brasileiras, como no processo de a criação do PSD e do PROS, partidos que pouco diferem do pragmatismo do PMDB.

Essa crescente falta de apoio social e político não impediu que Dilma vencesse as eleições de 2014, em grande parte devido à rejeição ao candidato adversário, que apresentava uma agenda muito mais liberal na economia e conservadora em termos de direitos sociais e individuais. A margem que lhe deu a vitória, porém, foi bastante estreita.

O resultado foi que Dilma venceu, mas não levou. Em seu segundo mandato, a presidenta abandonou em definitivo todo o projeto que havia concebido para seu governo e resolveu adotar o programa daqueles que tinham inviabilizado seu projeto inicial. Apostou suas últimas fichas em um ajuste fiscal neoliberal, com corte de gastos públicos e restrição de direitos, como no caso do seguro-desemprego, na esperança de reconquistar parte do apoio empresarial que havia perdido. Nomeou um ministério recheado de figurões da política tradicional no lugar dos técnicos que haviam sido escolhidos quatro anos antes. Retirou todos os incentivos que havia dado ao empresariado industrial e passou a ver na grande mídia e na classe média tradicional, que passou a ocupar as ruas pedindo sua saída, seus principais adversários.

Potenciais aliados se tornaram inimigos, mas mais uma vez Dilma não pensou em quem poderia marchar ao seu lado. O pouco que restava do pacto lulista desfez-se e Dilma amarga atualmente uma aprovação de menos de 10% na sociedade, como têm mostrado as pesquisas de opinião.

E agora?

impeachment

Neste momento, restam poucas dúvidas de que Dilma sofrerá um processo de impeachment. A articulação que deve derrubá-la uniu interesses que ela buscou derrotar, como os bancos e a velha oligarquia política brasileira, com setores que ela acreditou serem possíveis aliados de seu projeto, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a grande mídia e os setores médios urbanos.

Perdida a batalha política que deve terminar com uma expressiva derrota eleitoral do campo progressista nas eleições deste ano, é preciso que a esquerda olhe para o futuro a médio e a longo prazo e busque reorganizar as referências e os sujeitos sociais que podem ser a base para a disputa de um novo projeto político.

A primeira tarefa que urge é a de uma reconciliação da esquerda tradicional organizada em sindicatos e movimentos sociais com as vozes surgidas em junho de 2013. Há ainda muito preconceito e muita resistência por parte dos setores organizados do campo progressista com relação aos movimentos de junho. Isso se deve principalmente a uma visão parcial e distorcida que transformou aqueles acontecimentos em um carnaval conservador, voltado para pautas vazias ou reacionárias, como o combate à corrupção e o antipartidarismo.

Contudo, é preciso separar o joio do trigo. Junho de 2013 foi uma explosão de insatisfações latentes na sociedade brasileira, capitaneada, sobretudo, por setores descontentes com o pacto lulista ou com sua condução pelo governo Dilma. Assim, na mesma Avenida Paulista na qual setores conservadores das classes médias pediam o fim da corrupção e gritavam "sem partido", queimando bandeiras de agremiações diversas, parcelas expressivas da população clamavam por mais direitos. Para boa parte da população moradora da periferia, aquele foi um momento único de expressar suas demandas por melhores serviços públicos, novos direitos sociais e denunciar o desrespeito a seus direitos civis, como no caso da violência policial cotidiana. Isso sem contar a diversidade de pautas potencialmente progressistas que surgiram em dezenas de outras cidades pelo Brasil.

Somente quando a esquerda organizada e consolidada nos sindicatos e movimentos sociais e que deu origem ao PT nos anos 1970 e 1980 for capaz de dialogar com a energia catalisada pelas ruas em 2013, o campo progressista será capaz de se rearticular e disputar a hegemonia política novamente.

Neste momento, restam poucas dúvidas de que Dilma sofrerá um processo de impeachment.

Diálogo e construção coletiva devem ser as palavras de ordem. A velha esquerda deve, portanto, reaprender a escutar o que os novos sujeitos políticos têm a dizer sobre educação, cultura, racismo, violência policial, direitos das mulheres e da população LGBT sem querer cooptar lideranças ou submeter suas pautas a outras consideradas mais relevantes pelos grupos mais estabelecidos na cena política.

Da mesma forma, os partidos de esquerda devem se repensar, estando abertos inclusive para outras formas de organização política e social. O PT é o caso mais grave, tanto por ter adotado práticas e pautas que sempre criticou, quanto por ter se burocratizado e se afastado de suas bases sociais históricas. Contudo, outros partidos da centro-esquerda e da esquerda sofrem de problemas parecidos ao não conseguirem imprimir um diálogo horizontal e construtivo com as forças sociais progressistas.

O momento de refluxo da esquerda deve servir para aqueles que se enquadram nesse espectro político refletirem sobre avanços e retrocessos vividos nas últimas décadas. O momento de afastamento do Estado, pelo menos a nível federal, deve servir, portanto, para a esquerda se desburocratizar e se reaproximar da sociedade, sem que isso signifique paralisia ou falta de ação. Partidos políticos, sindicatos, novos e velhos movimentos sociais, intelectuais progressistas devem refletir de forma coletiva sobre os desafios e possiblidades que a conjuntura nos impõe buscando dar novos significados para as lutas sociais coletivas.

O oxigênio vem de baixo, como não poderia deixar de ser, e velhas certezas e dogmas da esquerda terão que ser desafiados. Pautas e formas de organização devem estar abertos para serem constantemente repensados.

A tarefa que se coloca está, portanto, na busca de uma nova práxis capaz de unir forma e conteúdo nas demandas progressistas latentes da sociedade.

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