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Não subestime o poder de um segundo primeiro beijo

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BEIJOS
RAQUEL MALLéN PHOTOGRAPHY. VIA GETTY IMAGES
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Lembro de estar sentada no sofá da minha amiga da sétima série, os créditos de Como Perder um Homem em 10 Dias passando silenciosamente ao fundo, quando perguntei a ela, pela décima vez naquela noite, como ela tinha ficado com aquele cara.

E seu primeiro beijo. Para ela, aconteceu na festa de aniversário de outro amigo, durante um jogo de girar a garrafa, e naquela noite ele mandou uma mensagem para ela "Essa noite foi divertida menor-que-três [<3]."

E pela décima vez naquela noite meu próprio menor-que-três parecia

Na verdade, a sensação duraria mais cinco anos. Eu tinha 17 anos quando dei meu primeiro beijo e, apesar de imaginar o momento havia anos, não foi nada como eu esperava.

Estávamos assistindo O Âncora - a Lenda de Ron Burgundy com uns bons 15 centímetros de distância entre nós, enquanto o outro casal no quarto tinha ido muito além da fase dos primeiros beijos no relacionamento -- estavam ocupados demais para perceber nossos olhares nervosos, que pulavam deles para Will Ferrell e de volta para eles.

Em um momento batemos nossas cabeças, no próximo estávamos nos beijando. Simultaneamente melhor e mais complicado do que eu jamais poderia ter sonhado, voltei da casa do meu então namorado com um enorme sorriso na cara, mas uma ligeira pontada de decepção no meu menor-que-três. Era isso.

Nos três anos seguintes que passei com aquele namorado, gostava do fato de só ter beijado uma única pessoa e me perguntava se teria de novo aquela sensação de "Oh meu Deus o que está acontecendo??"

Cada música romântica sobre beijos que eu tinha escutado só falava dos primeiros beijos. Depois do fim desse relacionamento de três anos, não sabia se o valor dos meus beijos tinha aumentado ou diminuído, então esperei.

Tendo experimentado só um primeiro beijo, seguido de um relacionamento de três anos, não tinha certeza se queria desperdiçar uma outra primeira vez com um cara que eu não conhecia tão bem ou que poderia não estar interessado em um relacionamento de longo prazo.

Muitas meninas podem beijar casualmente, sem impor condições, mas eu não. Imaginei que, aos 20 anos de idade, deveria estar mais à vontade com a ideia de beijar (não era minha virgindade, pelo amor de Deus!), mas tinha medo que o próximo primeiro beijo significasse coisas de mais ou de menos, e então continuei esperando.

Por alguma estranha coincidência, o meu segundo primeiro beijo ocorreu quase quatro exatos anos depois do primeiro "primeiro beijo". Em vez do porão de um namorado, foi num apartamento da faculdade, com duas garrafas de Stella na mesa de café e um filme de terror B em segundo plano. Sabendo durante boa parte do filme que o beijo viria antes dos créditos finais, de repente me vi de volta à sétima série, me perguntando como seria a experiência.

Será que ele beijaria do mesmo jeito que meu ex? Onde é que ele colocaria as mãos? Estávamos na faculdade, então será que rolaria língua logo na primeira vez? Com ou sem camisa? O filme era muito ruim? Será que eu deveria ter passado desodorante de novo? E ele?

Mas, assim como nos tempos da escola, tudo aconteceu rápido demais para que eu pudesse analisar o momento. Tudo o que eu sei é que nossas bocas estavam se tocando, as borboletas estavam de volta, não estávamos namorando, e foi maravilhoso.

É claro que minha primeira reação foi comparar esse beijo com os que dei no meu ex-namorado. Esse cara era mais magro, mais definido e tinha menos cabelo. Ele também não parecia entender que cabelos encaracolados têm mais nós, então soltei algumas interjeições desajeitadas: "Ai! Você puxou meu cabelo. Não, só um pouco. Tudo bem".

Ele também sorria mais, tocava meu rosto e concordou quando eu disse: "Foi ótimo".

A melhor parte, porém, foi que eu não sabia o que esperar. Não antes, não no momento, não depois. Éramos só duas pessoas querendo se conhecer, e isso era emocionante! Esse beijo estava preenchido de tanta curiosidade quanto o anterior, e também com a mesma hesitação. As regras do jogo não mudaram (OK, bem, dessa vez tiramos a camisa), mas beijar uma pessoa diferente foi muito emocionante.

Ninguém fala sobre a segunda, terceira ou quinquagésima primeira vez que beija ou segura a mão de alguém. Por que é que as primeiras vezes ficam com toda a atenção? Prometo a vocês, queridos, que nada se perde com um relacionamento antigo ou terminado. Há tantos outros momentos belos, confusos e constrangedores, que seu menor-que-três vai voltar a bater rápido depois de tantos anos. Vamos celebrar estes momentos também.

Originalmente publicadoem Literally, Darling uma revista online de para mulheres de vinte e poucos anos, que apresenta as questões pessoais, provocativas, constrangedoras e pop do nosso gênero e geração. Esta é uma representação exata dos nossos eus exagerados.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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