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Brincadeiras reais ou virtuais?

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CHRIS FLORES GABRIEL LIVRE PARA DESCOBRI
Ricardo Corrêa/Divulgação
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Por Chris Flores, apresentadora de TV, jornalista e mãe de Gabriel, de 10 anos

"Filho, sai um pouco desse computador e vai brincar!". "Gabriel, larga esse celular e vai brincar!". "Menino, ainda está com esse tablet nas mãos? Vai brincar!". Já perdi as contas de quantas vezes disse essas frases para o meu filho, Gabriel. Provavelmente, você também repetiu frases assim. Afinal, rola "aquela" culpa ao ver uma criança sentada no sofá, sem estar correndo ao ar livre, certo? Um dia, recebi algo como resposta que, para mim, foi perturbador: "Mas eu já estou brincando, mãe!", ele disse. Parei para analisar que, para essa geração, os gadgets são uma maneira de brincar. O meu desafio foi descobrir como trazer a tecnologia para o nosso mundo real e ideal.

É nesse ambiente online que eles interagem com outras crianças, jogando em rede, mandando mensagens, compartilhando fotos e assistindo a vídeos de meninas e meninos como eles. É ali que aprendem, socializam e vivem de maneira intensa. Resolvi, então, que deveria ter a tecnologia como aliada para fazer meu filho ir brincar daquilo que nós consideramos como brincadeira de verdade.

Vou dar exemplos. Ele adora o Naruto, personagem japonês de desenho animado. Outro dia brincamos juntos de fazer a fantasia do Naruto. Para começar, ficamos no mundo virtual: entramos na internet e buscamos vídeos tutoriais de como montar a roupa do personagem com sucata. Na sequência, viemos para a realidade concreta: pegamos latinhas, papelão, canetinhas, camiseta velha, durex, linha de costura e criamos o look. Foi uma delícia! Depois, voltamos à tecnologia ao fazer fotos e vídeos da brincadeira e compartilhar com um amigo dele, que adorou e veio em casa para brincar junto. Para minha alegria, e deles também, brincamos juntos de pega-pega, esconde-esconde, cabra-cega e polícia e ladrão sempre com o tema "Turma do Naruto". Corremos, interagimos, nos sujamos, gastamos energia. Fomos felizes sem medo e sem culpa na vida real!

A aventura se estendeu até a Liberdade, bairro oriental de São Paulo, para onde levei o Gabriel, com a intenção de que conhecesse mais sobre a cultura japonesa, experimentasse a culinária, que vai além do sushi, e comprasse mangás, que lemos juntos antes de dormir. O sucesso da minha solução virtual-real foi tanto que tenho repetido com outros temas, como Minecraft, Pokémon e super-heróis diversos. Já criamos piqueniques de personagens e jogos de tabuleiro - juntos, confeccionamos as peças e as regras.

Criança adora, precisa e quer brincar, mas hoje existem muitos estímulos que competem entre si. Por isso, precisamos entender os interesses dos pequenos e apresentar diferentes e novas formas de brincar (às vezes, nem tanto para os pais, mas novas para os filhos). Mandar desligar a TV, proibir o computador e o videogame, tirar o celular e o tablet, nada disso vai despertar nos nossos filhos a vontade de procurar algo menos tecnológico. Os gadgets são uma realidade e não dá mais para voltar atrás. Mas eles podem se tornar aliados. A infância passa rápido demais e temos o dever (e o prazer!) de aproveitar com eles esse período tão importante e mágico, que também não volta. Virtual e real, o mundo com nossos filhos é aqui e agora. Somos nós que escrevemos e fazemos nossa história acontecer de verdade. Minha dica-chave: inspire-se no virtual e viva o real!

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.