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Filhos de idades diferentes: como fazê-los brincarem mais (e brigarem menos)

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JULIANA MARIZ
Divulgação
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Juliana Mariz, fundadora do Co.madre, rede que apoia mulheres a enfrentar o dilema maternidade x trabalho, conta como concilia as brincadeiras das duas filhas

"Sou uma sonhadora compulsiva. Imaginava que iria passar horas e mais horas brincando com minhas filhas, Maria Clara, de sete anos, e Elisa, de quatro, sem nenhum perrengue. Íamos revezar: jogar dominó, memória, brincar com massinha, desenhar ou pular corda. Na minha cachola fantasiosa, uma música estaria tocando ao fundo e todas nós estaríamos felizes, rindo e nos entretendo muito.

Quando a caçula cresceu e passou a interagir melhor com a mais velha nas brincadeiras, há uns dois anos, coloquei meu plano infalível em prática. E caí do cavalo. O momento que nós três sentávamos juntas era de muito stress. Eu ficava chateada, cansada e rapidamente desistia. O que era para ser uma ocasião prazerosa virava um transtorno. Vinham, então, a frustração e aquela amiga, a culpa.

Foi quando equalizei expectativas. Eu precisava diminuir a idealização e encarar o desafio. O momento de brincar com as duas mais parecia um campeonato para ver quem chamava mais a minha atenção. 'Olha o meu desenho, mãe', dizia uma. 'Mas o meu está mais bonito', retrucava a outra. Essa era a realidade.

Passei a encarar essas situações como uma oportunidade para educá-las. Comecei a conversar, pontuar e mostrar para elas que as briguinhas estavam detonando o que deveria ser bacana. Lancei mão também de outras estratégias. Sabe a pergunta inicial 'vamos brincar do quê?'. Com uma diferença de dois anos e nove meses entre elas, muitas vezes as atividades não são compatíveis. Resolvemos, então, fazer um revezamento em quem escolhe o quê. Ou apelar para a caixa de brincadeiras, um vidro onde colocamos em papeizinhos tudo o que gostamos de brincar e podemos sortear a atividade de tempos em tempos.

Atualmente, estamos na fase dos jogos. É opção quando o pega-pega pelo corredor já passou dos limites. Dominó e memória, por exemplo, são meus aliados para acalmá-las. Consigo observar o quanto estão concentradas (ou não) e também tenho chance para falarmos sobre ganhar e perder - um grande perrengue para as crianças. Ali, no lançar dos dados, somos todos iguais. Confesso, sou a lanterninha quando o assunto é jogo de memória.

Outro dia peguei a mais velha trapaceando no dominó. Não precisou de delação nenhuma. Ela levantou-se depois de ter 'ganhado' o jogo. Tinha sentado em cima de algumas peças. Havia no ato a ingenuidade infantil, claro. Quem nunca... Mas aproveitei para conversar sobre o assunto. Ela retrucou dizendo que não gosta de perder. A caçula assistia a tudo de camarote, ia na rebarba da bronca alheia.

No final, ela mostrou arrependimento. E eu concluí sozinha que foi bom ter tido essa oportunidade. Abriu espaço para expor valores e conceitos. E que, descontadas todas as idealizações, brincar faz bem, muito bem."

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.