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A importância de resgatar as festas infantis do nosso tempo

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GIOVANNA BALOGH
Divulgação
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Giovanna Balogh, autora do site Mães de Peito, dá uma alternativa para economizar em tempos de crise e fazer uma festinha divertida e com jeito de antigamente

"As festas de aniversário de antigamente eram bem parecidas: aconteciam no fundo do quintal ou na sala de casa e os convidados eram familiares e poucos amigos - a maioria vizinhos que se conheciam das brincadeiras na rua. Os quitutes eram simples, preparados pela mãe, pela avó, pelas tias dos aniversariantes. Não tinha animador, recreador, piscina de bolinha e cama elástica. As brincadeiras eram livres: esconde-esconde, pega-pega, pular elástico.

Nossos filhos até desconhecem essa possibilidade. As festinhas foram 'gourmetizadas' com 'finger food', coreografia no parabéns e retrospectiva com fotos do aniversariante. Por conta da praticidade e para não ter 'trabalho' com a festa, os pais acabam recorrendo aos buffets. A criançada, é claro, adora todos os jogos, aparatos eletrônicos e opções de cardápio nem sempre saudáveis que são oferecidos nesses espaços. O preço, no entanto, pode ser meio inviável.

Mas quem disse que não dá para fazer uma festa divertida sem gastar tanto? E o melhor: algo com cara de 'antigamente', caseiro e cercado de brincadeiras simples e adoradas pelos pequenos?

Este ano, Bento e Vicente, meus filhos, completaram 6 e 4 anos, respectivamente. Sempre faço as festas deles juntos e eles adoram, pois têm 1 ano e 11 meses de diferença - e eu não tenho saúde mental nem financeira para arcar com dois eventos em um curto espaço de tempo.

Nem cogitei fazer festa em buffet neste ano por conta do orçamento apertado. Adoro a ideia de piquenique em parques, mas, no inverno, acabamos ficando reféns do tempo. Optamos em fazer a festa na Casa do Brincar, em São Paulo, um espaço que parece o quintal da vovó, cheio de brincadeiras, e que pode ser alugado por hora ou período específico. Lá tem parede de escalada, casinhas de madeira, oficinas de arte com massinha, paredes de azulejo para desenhar... Os convidados e os aniversariantes saíram de lá com as roupas sujas de tinta, areia, e cansados de tanto correr e se arrastar no chão.

Com a grana curta, também recorri aos velhos costumes das festas da nossa geração na hora de servir a comida. Eu e a minha mãe fizemos todos os quitutes, carne maluca, patês, lanchinhos naturais. A tia-avó e a bisavó das crianças fizeram aqueles bolos de coco molhadinhos e embrulhados no papel alumínio enquanto a minha sogra e a minha cunhada ficaram encarregadas dos docinhos. Os aniversariantes pediram um bolo de cenoura com cobertura de chocolate para cantar o parabéns. Tudo muito simples.

O resultado disso tudo foi crianças completamente felizes e realizadas após a festa 'diferente'. Não teve glamour nenhum, mas teve o que os pequenos mais gostam de fazer: brincar livremente, correr pelo quintal e estar rodeado dos amigos. No final, o meu mais velho falou que aquela tinha sido a festa mais feliz da vida dele. Ano que vem, vamos repetir a dose."

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.