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Como não cair na armadilha da autocobrança para criar superfilhos

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JULIANA FREIRE JUST REAL MOMS
Divulgação
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Inglês, espanhol, arte, música, esportes... A blogueira Juliana Freire, coautora do justrealmoms.com.br, conta como faz para não sobrecarregar desde já a agenda de Olavo, 5 anos, e Ana Helena, 3, e para não cair na armadilha da autocobrança para criar "superfilhos"

"As mães sempre se sentem culpadas, tanto pelas coisas boas quanto pelas ruins. Hoje, existe uma pressão para que nossos filhos falem inglês cedo, toquem instrumentos e façam esporte logo. É um monte de coisas. Então, qualquer mãe se cobra e se pergunta: 'Será que estou fazendo errado? Será que o meu filho não produz tudo o que poderia produzir? Será que, lá na frente, ele não vai ser prejudicado?' A verdade é que difícil conquistar um equilíbrio.

Existe hoje essa tendência de se cobrar para criar 'superfilhos'. Acontece que, se eles ficam o dia inteiro cheios de atividades, acabam infelizes, estressados, angustiados. É preciso prestar a atenção quando seu filho dá sinais de que não gosta daquela rotina. O que as crianças adoram mesmo é brincar. Se têm muitos compromissos, a vida fica chata - e elas acabam virando adultos cedo demais. É preciso, portanto, dosar as brincadeiras e os compromissos. Eu procuro deixar meus filhos sem atividades extracurriculares dois dias por semana. Assim, eles chegam da escola e ficam livres para brincar.

O Olavo faz natação e futebol e a Ana Helena, natação e balé. Ela faz balé porque gosta e até pediu. A natação nenhum dos dois ama, mas é importante por uma questão de sobrevivência. Quando for necessário, vão saber se virar na praia ou na piscina.

Eu me formei em administração de empresas e sempre trabalhei no marketing de multinacionais, mas saí há dois anos para me dedicar ao blog e aos meus filhos. Fiz essa movimentação justamente buscando mais equilibrio na vida e para ficar perto deles. Sei que é mais difícil para quem trabalha fora conseguir um convívio maior com as crianças. Até tenho amigas que enchem os filhos de compromissos por falta de opção, porque trabalham o dia todo e não querem deixá-los com babás.

Se for esse o caso, eu recomendo pelo menos procurar atividades que estimulem a criatividade, como um curso infantil de culinária ou algo divertido ao ar livre. Acho que, se a criança frequenta apenas aulas de esporte, por exemplo, pode se sentir pressionada e achar que tem de se sobressair e ganhar o tempo todo. Isso cansa! Uma aula de pintura, que explora a imaginação, talvez seja uma ideia melhor.

Outra dica é o diálogo constante. Meu filho vai fazer 6 anos. Já está na hora de perguntar do que ele gosta mais, deixando-o decidir algumas coisas. Se a gente consulta a criança, as atividades perdem um pouco o tom de obrigação para ela. Claro que é preciso ter muita sensibilidade, porque ela pode simplesmente dizer que não quer fazer nada além da escola. Também não é assim! Mas ela pode dizer que não gosta de futebol, e sim de tênis. Ou que não quer ir a uma festinha, pois, naquele sábado, prefere ficar brincando em casa. A chave é conversar sempre."

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.