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Brincadeira saudável não tem limites

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MARINA BREITHAUPT PETIT NIOS
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A blogueira Marina Breithaupt, autora de blogpetitninos.com.br e mãe de Barbara, 15 anos, Theodoro, 6 anos, e Amelie, 8 meses, conta porque limitar as fantasias pode podar a criatividade dos filhos

Na correria da vida, a gente acaba esquecendo quanto a nossa presença faz diferença para as crianças no momento mais importante da vida delas: a hora de brincar!

Nossa participação é essencial não só pelo vínculo que se forma, mas também por ser uma oportunidade única de contemplar a criatividade dos nossos filhos. Adoro ver as aventuras do Theo, meu filho do meio, de 6 anos, em combates fantasiosos, viagens imaginárias e dando nova vida a objetos que temos aqui em casa. Isso me fez refletir inclusive sobre o meu papel dentro da brincadeira. De repente, percebi que, quanto menos eu direcionava e colocava os meus limites à imaginação do Theo, melhor era a experiência para ele. Até mesmo ao escolher brinquedos "prontos" - como usar um panelinha de mentira para cozinhar no fogão de mentira - eu limitava as possibilidades de exploração do meu filho. Qual é o problema de usar a tal panela como capacete do dinossauro, não é mesmo?

Quer um exemplo claro? Quantas vezes você já não ouviu uma mãe frustrada por ter comprado uma roupa linda para a festa do filho e, na hora H, ele preferir ir fantasiado? E tentando convencer a criança a tirar a capa de herói?

Acredito que valha a pena deixar de lado o que é certo e errado para nós, adultos, e pegar carona na brincadeira dos pequenos, vestir o personagem e deixar que se expressem com naturalidade. Fantasiar e explorar espaços faz parte da infância e é papel dos pais ajudar a liberar esse canal da criatividade. E essa tarefa não é nada fácil... Como deixar o lúdico reinar e não impor o nosso ritmo às brincadeiras, sendo que existem tantas obrigações para cumprirmos ao longo do dia?

Tenho seguido alguns passos:

- Respeito ao tempo de cada criança: Já percebi que o Theo vive em um compasso só dele, muito diferente da nossa rotina. Muitas vezes o apressei nas tarefas simples, como escovar os dentes e vestir as meias, por perceber que ele estava longe, como em um mundo paralelo. No entanto, entendi que o tempo dele é importante. Ele precisa dessa vivência, de sentir a experiência, de fantasiar enquanto realiza aquelas tarefas simples.

- Lugar seguro: Liberdade, sim, mas com segurança sempre. Essa é nossa regra. Mesmo quando morávamos em um lugar com pouco espaço, sempre que possível passava algumas horas no parquinho do prédio. As crianças precisam explorar espaços e é nosso dever proporcionar isso com toda a segurança. Manter limites sem que eles notem: essa é a chave!

- Disponibilidade de materiais e possibilidades: Procuro deixar meus filhos criarem seus próprios brinquedos, dar novos usos a objetos do dia a dia, reciclar! Faz bagunça, sim, eu sei. Mas isso faz parte de ter crianças em casa, né? Por que a gente ainda prioriza a sala arrumada em vez de se maravilhar com a criança crescendo bem diante dos nossos olhos?

Se a gente observar e priorizar a infância e o desenvolvimento das crianças, fica mais simples ampliar nossos horizontes e ceder mais espaço, conceder mais liberdade. O que é uma sala bagunçada e uma roupa inapropriada perto do sucesso do seu filho? Liberdade para brincar, com segurança sempre!

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.