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Dilemas do parquinho: como manter os filhos seguros enquanto brincam?

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MARIANA KOTSCHO
Divulgação
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Mãe de três filhos, a apresentadora Mariana Kotscho, do programa Papo de Mãe, da TV Cultura, mostra que brincar no parquinho é uma delícia, mas que a atenção dos pais é imprescindível

"Era um inocente jogo de futebol entre meninos de 7 e 8 anos, mas podia ter sido uma tragédia. Quando as crianças estavam todas na pequena área, a trave (ou melhor, o gol inteiro) caiu no chão. O goleiro ficou preso na rede e os amiguinhos, em volta, assustados.

Caso um ferro daqueles atingisse a cabeça de alguém, poderia ser fatal. Depois, pesquisando, descobri que já aconteceram vários casos de morte de crianças por queda do gol no Brasil. Sabendo deste risco, passei sempre a checar se as traves estavam fixas ao chão, se não havia sinais de ferrugem ou desgaste, e a alertar outros pais e mães. O menino que estava no gol era meu filho. Jogar futebol, brincar no parquinho, isso tudo é uma delícia - e deve ser feito sempre. Mas é importante que os pais fiquem atentos.

Quando levantei e fui questionar os professores da escolinha de futebol, fui chamada de neurótica. Mas dados oficiais sobre acidentes com crianças, divulgados por órgãos públicos e ONGs como a Criança Segura, mostram que somos displicentes com a segurança dos pequenos. A criança tem que andar de skate e bicicleta sim, claro - mas com capacete, por que não?

Brincar livremente deve ser incentivado pelos pais sempre, pois é saudável para o desenvolvimento da criança. Ficar com um roxo aqui e outro ali, um arranhão, faz parte, mas machucados graves podem ser evitados. Os acidentes representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes de 1 a 14 anos no Brasil. O afogamento, por exemplo, é uma das tragédias que mais acontecem. Quando as crianças estiverem na água, tem que ter colete salva-vidas e supervisão total!

A situação ainda é tão grave que existe o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes na infância e adolescência, 30 de agosto. A ONG Criança Segura analisou os acidentes que levam as crianças a serem internadas e foi constatado que a principal causa são as quedas (47%). Em 2014, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 crianças com idade entre zero e 14 anos foram internadas no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a acidentes em parquinhos.

Para não dar nenhum susto, as brincadeiras devem acontecer em locais seguros. Longe de carros, por exemplo, para evitar atropelamentos. E se a opção for os parquinhos, observe se os cantos dos brinquedos são arredondados, se não há parafusos ou pregos salientes, se há barreiras que isolem a área dos balanços para que não atinjam outras crianças, se a superfície do chão é macia para amortecer quedas, etc.

Por isso, é importante educar os cuidadores para reconhecerem quando há algum perigo que possa ser evitado e terem uma supervisão ativa. É impossível proteger as crianças de tudo, mas é bom conversar com elas sobre os riscos, para que, aos poucos, elas cresçam com a consciência da prevenção. Tudo bem, eu sei que não precisamos colocar capacete nos nossos filhos na hora em que acordam. Mas, com bom senso, consciência e informação, podemos deixá-los brincando livremente o dia todo, descobrindo a vida lá fora em segurança e sem sustos."

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.