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Parceria em casa: como fazer a criança encarar obrigações de forma divertida

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MUNDO OVO
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A nutricionista e blogueira Patricia Smith, colaboradora do mundoovo.com.br, explica que ouvir a opinião do filho Adam, de 5 anos, ajudou a envolvê-lo na organização do quarto e no preparo das refeições da família

"Quando o Adam nasceu, eu me reencontrei na minha escolha pela nutrição. Foi quando comecei a dar aulas sobre culinária, sobre envolver os filhos na cozinha. Acho que é uma forma de ensinar muita coisa, de fazer a criança participar do dia a dia, de deixar as atividades mais divertidas. Por cobrar, a mãe às vezes fica com esse papel de "bruxa" aos olhos dos filhos. Mas é possível impor disciplina sem ficar com esse rótulo. Obrigação e brincadeira são coisas diferentes, mas dá para tornar a obrigação mais leve, divertida.

Se o Adam deixa os brinquedos espalhados, a gente brinca que guardá-los dentro dos seus respectivos baldes e caixas é um jogo. Quem cata mais brinquedos ou mais rápido, ganha. Manter as roupas nos locais certos do armário também pode ser uma tarefa trabalhosa. Mas meu filho ama adesivos. Então, colamos adesivos nas portas e gavetas, para identificar o local das meias, das cuecas, das camisetas... Agora ele sabe onde está cada coisa e mantém organizado.

Dando liberdade e envolvendo a criança nas responsabilidades da casa, ela ganha voz. Eu sempre arrumava o quarto do Adam do meu jeito, do jeito que eu acho melhor. Mas ele passou a reclamar que só eu faço as regras e que minha arrumação não era legal. Quando eu ouvi a opinião dele e permiti que ele próprio organizasse o quarto, seguindo a lógica dele e não a minha, ele passou a mantê-lo arrumado sempre. Na geladeira, as coisinhas do Adam (a água, a fruta, o lanche) ficam na prateleira de baixo. Assim, ele não precisa me solicitar tanto. Essas pequenas coisas dão mais autonomia para a criança.

Na cozinha, a lógica é a mesma: parceria. Precisamos envolver a criança no processo. Sei que muitos pais saem cedo e voltam tarde. Nem sempre é possível estar junto nas refeições. Mas, ao menos no fim de semana, é bom desenvolver esse vínculo. Levar os filhos para fazer as compras, escolher com eles o cardápio, respeitar suas preferências... Cozinhar é uma relação de confiança com a criança: pensar juntos no que fazer, explicar os ingredientes e não ter medo de sujar. As crianças precisam participar, limpar, descascar, criar. Sem faca e sem fogo, é divertido e seguro. Não dá para cobrar perfeição, claro: elas podem demorar mais, sujar mais, não fazer tão certinho, mas conseguem e a comida fica do jeito delas. Vai cair casca de ovo na receita? Vai. Vai ter farinha demais e fazer uma nuvem branca na cozinha? Vai. Mas, tendo leveza para relevar esses pequenos "desastres", vai render boas risadas.

Além de ensinar matemática (medindo quantidades) e a origem dos alimentos, a atividade também ensina planejamento, hierarquia de etapas, trabalho em equipe e paciência para aguardar o resultado. A gente exige uma perfeição que as crianças não exigem: qualquer resultado para elas é legal. Um pão no forno, crescendo, ou uma gelatina que de líquida vira sólida, para elas, é como mágica. É um ensinamento para a gente também: de que não precisa ser tudo tão certinho. Um pouco de bagunça não faz mal a ninguém."

Este espaço integra o movimento #livreparadescobrir, lançado por OMO para estimular os pais a deixarem suas crianças brincarem mais, dentro e fora de casa, uma vez que isso é essencial para o desenvolvimento infantil.