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Sujeira pra todo lado

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MARIANA BRAZIL
Ricardo Moraes / Reuters
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Cresci ouvindo que sou livre.

Naquela época sonhava em navegar pelos mares, ir à Lua e até mesmo em ser piloto de corrida. Nada era impossível. O céu era apenas o começo. Imaginava dragões, sentia o cheiro das emoções nos livros e viajava nos meus próprios mares.

Hoje tenho vinte anos e a realidade é como um balde de água fria. Agora as preocupações mudaram e os sonhos também. Ouvir um discurso e transformá-lo em imaginação, ficção, não é o que acontece. A realidade dói, fere a alma, o peito e o ser.

O governo golpista que estamos sendo obrigados a engolir está nos deixando cegos e surdos. As viseiras nunca estiveram tão claras, isso para não falar do ódio escancarado nas capas de revista.

Retirar mulheres e negros dos ministérios não soa como um enorme retrocesso? Bem, para os 22 homens de Temer, isso parece normal. Sem falar sobre os índios que já estão em pequeno número e não têm representatividade. Parece que a corda arrebentou para o lado mais fraco na nossa frágil democracia - mais uma vez.

O bombardeio aos nossos direitos vieram majoritariamente após o dia 12. A questão agora é: será que nos fechamos tanto a ponto de não enxergar o que está à nossa frente? Até que ponto a quantidade de informação não seria capaz de bloquear nossa visão tanto quanto a falta dela? Quantidade é muito diferente de qualidade. Atualmente apenas 12 famílias tomam conta da comunicação em todo o país.

Vejam bem, estamos vivendo no oligopólio das informações.

Sobre outras janelas
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Interior de casa em Bento Rodrigues Foto: Pedro Menegheti

No dia 27 de abril, a Proposta de Ementa Constitucional n° 65/2012 foi aprovada no Senado. Essa PEC autoriza a realização de obras sem necessidade de licenciamento ambiental. Será preciso apenas de um Estudo de Impacto Ambiental feito pelo empreendedor e, depois disso, nenhuma obra poderá ser cancelada ou parada. Resumindo, os próprios empreendedores averiguarão se a obra é ou não viável, sem qualquer fiscalização governamental.

Já vimos casos que, mesmo com a licença, tudo deu errado. O mais recente foi Mariana, em Minas Gerais que destruiu todo o distrito de Bento Rodrigues e até hoje não temos muitas informações sobre o que aconteceu ou sobre o que poderia acontecer com as outras barragens que estão próximas, isso porque já tem seis meses da tragédia e por ser o maior desastre ambiental do país.

Seis meses sem respostas, ainda com desaparecidos e agora com uma proposta que permitirá isso mais vezes.

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