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Da Suíça ao Amazonas: a incompetência Olímpica não tem fronteiras

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TEMER PAES
VANDERLEI ALMEIDA via Getty Images
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Museus ou exposições esportivas quase nunca são pauta dos cadernos de esporte. Então quando duas notícias sobre "Museus Olímpicos" são publicadas em uma semana, é porque o assunto é sério; ou melhor, triste.

"Hello, voxê goxtoza. Tudo bem. Bonita bundáo"

A primeira notícia veio com grife internacional. Saiu no jornal Estadão, assinada por ninguém menos que Jamil Chade, revelando que a exposição "Destination Rio" (Destino Rio) ensina aos visitantes falar o "carioquês". Entre as palavras escolhidas pelos organizadores suiços estão "gostosa" e "bundão".

Esse ato falho e grotesco do pessoal da capital Olímpica só reforça o estereótipo Brasil-Carnaval-Sexo-Futebol que tanto nos estigmatiza mundo afora. Porém, se pensarmos um pouco, será que algo mudou?

Entre estupros coletivos, confetes para dizer "sim" ao impeachment e fracassos da Seleção, o Brasil que atravessa o Atlântico é quase sempre jocoso.

Então, seja porque o pessoal de marketing do Museu não consultou o departamento de pesquisa ou quem sabe porque ainda existem profissionais que não entendem a diferença entre conteúdo para vender vs. conteúdo para educar; o fato é que a ideia de sediar os Jogos Olímpicos para divulgar uma boa "imagem" do Brasil, foi um tiro pela culatra em vários sentidos.

Elefante branco como sede Olímpica

Em viagem paga pelo Banco Bradesco (um dos patrocinadores do Rio 2016), Marcel Merguizo, escreveu sobre a proposta de termos o primeiro Museu Olímpico do Brasil num elefante branco - legado da Copa do Mundo 2014.

Para "movimentar" a Arena Amazônia, construída com mais de R$ 600 milhões de impostos e administrada, claro, pelo poder público do Estado do Amazonas; o novo gestor da Arena anunciou que dois andares (!) serão dedicados a exibir a coleção Olímpica do ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo.

Esse sempre foi um sonho de Gesta, que é reconhecido mundialmente como um dos maiores colecionadores de relíquias Olímpicas. Mas quem é do ramo sabe: uma "exposição" não é sinônimo de museu. Assim, para o "museu" movimentar o elefante branco, mais do que colocar objetos em caixas de vidro e trocá-los de três em três meses deve ser feito.

Pelo que li, o elefante branco do Amazonas irá ficar mais "nobre": ornamentado Olimpicamente, mas com algumas penas indígenas para dar um look local.

Falar em programa educativo integrado na rede de ensino formal ou quem sabe em uma exposição que instigue o visitante a pensar o seu ambiente social para tornar-se um agente de mudança na região; parecem estar tão fora de questão tanto quanto esquecemos das tribos indígenas brasileiras.

Enfim, como podemos ver, da Suíça ao Amazonas, a incompetência Olímpica não tem fronteiras.

LEIA MAIS:

- Legado Olímpico: Atletas brasileiros irão treinar no Catar

- R.I.P. Seleção Brasileira

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