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A carta de Dilma: O verdadeiro golpe no Brasil

Publicado: Atualizado:
DILMA
REUTERS/Adriano Machado
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A leitura que Dilma Rousseff fez de sua carta ao Senado reconfirma que a petista prefere destruir o País a se ver afastada do poder.

Ré num processo de impeachment que tem como fundamentação a fraude fiscal realizada para tornar sua reeleição viável, Dilma clama para que a Constituição seja rasgada de vez.

Não apenas a petista deseja que seu crime seja esquecido, como deseja cometer nova atrocidade ao atacar os Poderes da República e as eleições periódicas.

Na cabeça de Dilma, após sua recondução ao poder, seria convocado um plebiscito para decidir se teríamos novas eleições presidenciais.

Em suma, ela deseja um golpe.

O esquema é um convite à anulação da competência do Congresso Nacional, que precisa autorizar a realização de plebiscitos.

É o que diz a Lei 9709/1998, a chamada Lei da Soberania Popular:

"Art. 3º Nas questões de relevância nacional, de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo, e no caso do § 3º do art. 18 da Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional, de conformidade com esta Lei."

O esquema também atropelaria a Constituição Federal, que veda a abolição da realização de eleições em intervalos regulares, a chamada periodicidade:

''Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;''

Tal loucura mostra como a presidente afastada é um perigo para a República e continua sendo a mesma figura autoritária que aumentou, inclusive criminosamente, o poder do governo durante seus seis anos no Planalto.

No pronunciamento, ela também diz que acolheu as críticas do povo com ''humildade e determinação'', outra prova de seu descolamento com a realidade.

O povo não faz críticas à sua gestão. O povo exige sua deposição.

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Ignorando o clamor das ruas e fingindo normalidade, a petista adota a tática esquizofrênica de pedir ''diálogo com o Congresso Nacional'' enquanto impõe uma pauta pronta sem consultá-lo. Suas medidas já estão elaboradas e inclusive nomeadas como o ''Pacto pela Unidade Nacional'' e a ''reforma política''.

Rejeitada por concentrar poder no Executivo e querer imitar o modelo do ditador Nicolás Maduro (como os Conselhos Populares que visam a dar poder político aos movimentos ''sociais''), Dilma responde com o mesmo discurso de sempre.

A presidente afastada não nos poupou sequer de ouvir que a responsável pela destruição da economia brasileira promete fazer o País ''voltar a crescer e gerar empregos''.

Para não falar da alegação de que em sua vida ''não há registro de desonestidade, covardia ou traição''... A própria carta indica o contrário. O fato de Marcelo Odebrecht delatou que Dilma lhe cobrou propina e o STF autorizou que ela seja investigada por obstrução de Justiça não ajuda a petista com sua autopromoção.

Sobrou a demagogia sobre um suposto ''colégio eleitoral de 81 senadores'' e que ''todos sabem'' que ela não cometeu crime de responsabilidade.

A petista finge desconhecer que o processo no Senado não é uma eleição, mas o julgamento constitucional de uma presidente pelos crimes que ela cometeu. Seu cinismo é uma admissão de culpa. Incapaz de questionar o mérito de sua punição, apela para o ataque à instituição.

No fim, a carta de Dilma revela que a presidente afastada continua tão golpista quanto antes. Após dar um golpe ao se reeleger vendendo ao povo o Brasil da propaganda petista, deseja agora dar outro para substituir a lei e a ordem pelas suas mentiras e seus crimes.

Não existe conciliação entre Dilma e a República. Seu julgamento não definirá somente o destino de seu mandato, mas também se o Brasil superou a marcha rumo ao bolivarianismo ou apenas interrompeu brevemente sua decadência institucional.

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