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A obsessão igualitária

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INTOLERANCE
Foto Bureau Nz Limited via Getty Images
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Procusto, na mitologia grega, era um bandido que vivia na serra de Elêusis. Tinha uma cama de ferro em sua casa, a qual convidava os viajantes a se deitarem.

Os que aceitavam acabavam caindo em sua armadilha, sendo presos e torturados para atender a obsessão de Procusto por uniformidade.

Aqueles que eram maiores que a cama tinham seus membros decepados. Os que eram menores tinham seus membros esticados.

Como ninguém se encaixava perfeitamente na cama, todos que deitavam viravam vítimas do plano macabro.

A aterrorizante história expõe a intolerância humana com o desigual, o diferente, o distinto.

Nossa classe intelectual hoje é uma legião de Procustos, cheia de supostos iluminados que se creem aptos a fazerem engenharia social pelo bem da humanidade.

O igualitarismo tornou-se dogma, sendo verdadeiro pecado questionar porque seres humanos distintos e grupos diferentes precisam iniciar no mesmo lugar e chegar ao mesmo destino.

Se os militantes deste pretenso progresso tivessem a força política necessária, não hesitariam em destruir amanhã a atual sociedade e substitui-la por sua utopia igualitária.

Além de indiferente às convulsões sociais causadas por tais mudanças bruscas impostas de cima para baixo, é um projeto fadado ao fracasso: a igualdade material entre as pessoas só pode ser forçada por governantes com um poder político superior ao delas, sendo esta diferença originadora de nova desigualdade, de caráter autoritário.

No fim das contas, a obsessão igualitária é um convite à tirania, algo que fica claro pelo clamor incessante por mais controle e influência que os líderes deste movimento pedem para si.

Quando a igualdade perante a lei é tida como antiquada, e a igualdade absoluta tida como ideal a ser perseguido, a concentração de poder não tarda a surgir.

A marcha pela igualdade material caminha sempre junta à expansão do poder do Estado, nunca contra ele.

Isso ocorre por ela partir da mesma noção que o totalitarismo socialista e nacional-socialista: a ideia de que a insatisfação com a atual sociedade legitima que um grupo governante use da força estatal para ditar o arranjo social que assume como correto.

É o "Socialismo e Liberdade", onde todos são livres para viverem de acordo com as metas estatísticas de uma secretaria governamental qualquer, que restringe e privilegia grupos ao bel prazer. Em nome da inclusão, lógico.

A natureza humana vai contra tal ideologia igualitária. Não importa quanta força se aplique, as pessoas sempre terão diferentes talentos, crenças, origens e sonhos. Uma sociedade onde as pessoas tem a liberdade de agir de acordo com suas consciências e capacidades é uma sociedade plural, e esta pluralidade necessariamente carrega consigo também a desigualdade.

A ânsia pela igualdade material não pertence às sociedades livres, mas às ditaduras. Somente burocratas poderosos, superiores ao povo e ao cidadão comum, podem limitara vida das pessoas de forma a impedir que as relações humanas resultem no plural e no diferente, com todos obedecendo o esquema igualitário da elite governante.

Se valorizamos a liberdade das pessoas viverem suas vidas da forma que acham melhor, não devemos ceder a quem propõe mais controles, cotas e restrições. Devemos remover as barreiras que impedem o cidadão de encontrar mais soluções por conta própria e das comunidades terem mais autonomia para lidarem com seus problemas.

As respostas e consensos mais harmônicos e duradouros são construídos pela relação espontânea entre as pessoas, não por uma força estatal com dedo em riste, independente da ideologia carregada por ela. Procusto era horrendo, não o elejamos presidente.

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