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Cunha não era um criminoso, mas o vilão de uma narrativa

Publicado: Atualizado:
EDUARDO CUNHA
HEULER ANDREY via Getty Images
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Nenhum silêncio nesta quarta-feira (19) foi mais ensurdecedor do que o realizado por petistas e demais radicais de esquerda ao se depararem com a notícia de que a Polícia Federal havia prendido Eduardo Cunha.

O ex-Presidente da Câmara foi a figura política mais atacada pelo PT e seus aliados desde que iniciou seu rompimento com o governo Dilma no início de 2015.

Esperava-se que a queda de uma das figuras mais infames do Congresso fosse motivo de eufórica comemoração entre seus maiores opositores.

Entretanto, a prisão decretada pelo juiz Sergio Moro teve como efeito imediato apenas um discreto ranger de dentes.

O silêncio foi rompido apenas momentos depois, com uma enorme leva de explicações sendo dadas por aqueles que deveriam estar comemorando a prisão do deputado pmdbista.

Ocorre que Cunha não era visto como um mero corrupto pela esquerda brasileira. Ele era o grande inimigo a ser combatido, o pretexto para a união de ideologias vermelhas com níveis diferentes de extremismo.

Cunha não era um criminoso, mas o vilão de uma narrativa. O interesse não era puni-lo, mas construir uma polarização onde Dilma e seus apoiadores enfrentavam o Mal encarnado.

Este Mal, como sabemos, tinha um plano: o golpe, ato apocalíptico que jogaria o Brasil na escuridão.

O grande pecado de Cunha não foi sua conduta mafiosa na Petrobrás, mas em simplesmente aceitar a tramitação do pedido de impeachment meses após ele ter sido protocolado, ainda por cima cortando trechos importantes do texto formulado por Janaína Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.

Permitir o julgamento de Dilma por seus crimes fiscais, depois de bloquear o processo em benefício de Dilma, era um verdadeiro abuso de poder.

O golpe, mais conhecido para quem já leu a Constituição como impeachment, nos mergulharia de vez nas trevas, engolindo a Lava-Jato e trazendo cem anos de impunidade à Cunha e seus subordinados golpistas.

Cinco meses após Dilma ser afastada do cargo, a Lava-Jato está a pleno vapor e Cunha usufruindo de uma cela na cadeia.

Eis o motivo do silêncio inicial com a prisão: a realidade vem expondo continuamente a esquerda ao ridículo, com a narrativa do "golpe" virando piada nacional.

A ficção delirante teve peso na rejeição popular ao PT nas eleições municipais deste ano, que fez o partido perder mais da metade das prefeituras que ocupava.

A teimosia em manter o circo narrativo de pé só traz novos vexames, tudo a troco de negar a destruição econômica e institucional causada pelo tempo que o Partido dos Trabalhadores permaneceu no poder.

Entram as explicações revisionistas: Cunha passa de Mal supremo, arquiteto do golpe, para fantoche sem relevância. Exatamente o contrário do que a esquerda alardeou nos últimos dois anos.

E o Mal supremo? Ora, eram os mestres de Cunha. FHC, Temer, Moro, as vagas para vilões estão abertas.

É um espetáculo patético, não apoiado por ninguém senão os mais fanáticos militantes.

O fim de Cunha como força política dói à esquerda, que vê em sua figura um alvo fácil que não tem mais a capacidade de fabricar.

Sem novos monstros debaixo da cama, o caminho está aberto para vermos a grande figura messiânica do petismo respondendo pelos seus crimes perante a nação.

Os militantes podem negar sua participação no projeto de poder criminoso do qual o país se livrou. Mas eles não poderão impedir os líderes de sua seita ideológica de serem julgados e punidos de acordo com a lei brasileira.

LEIA MAIS:

- O 'anti-petismo' chegou até as urnas

- A obsessão igualitária

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