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A revolta da elite contra o pobre de direita

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Zeljko Bozic via Getty Images
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Desde a primeira manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff até as eleições municipais de 2016, um fenômeno curioso ocorre entre a intelectualidade brasileira, dominada pela extrema-esquerda: o desprezo pela pluralidade de pensamento político, sobretudo quando é observado nas classes mais baixas.

A questão pode ser resumida pelo termo ''pobre de direita'': segundo esta elite iluminada, seria o cidadão de origem humilde que, por burrice ou ignorância, não vota no PT nem nos partidos mais extremistas que ele. Usualmente, o diagnóstico empolado é que ele não tem ''consciência de classe''.

É uma explicação divertida pois tal ''consciência classista'', verdadeiro ranço marxista, é comum entre ideólogos de classe média e alta, mas quase inexiste entre o dito proletariado. Partidos como PSOL e PSTU são cultuados em universidades públicas, não em canteiros de obra.

A realidade tem essa mania de contradizer o que foi inventado por intelectuais com muito tempo livre e pouca ventilação nas salas onde eles se puseram a pensarem suas teorias.

Também é fascinante ver intelectuais denunciarem a suposta estupidez dos mais pobres enquanto chamam social-democratas e centristas de ''direita'', mantendo sua zona de conforto intacta ao não se darem nenhum trabalho de distinguir estes de liberais e conservadores. Falar abobrinha sobre o FHC é mais fácil.

Mas o que motiva essa agressão gratuita da elite contra o trabalhador comum, o brasileiro que paga suas contas e simplesmente usufrui de seus direitos políticos para apoiar ideias e candidatos que considera melhor para si e sua família?

A arrogância incentivada pela ideologia socialista é um fator. O pensamento de Marx e seus herdeiros é messiânico, dizendo que a estrutura social é exploradora e injusta e eles a resposta para salvar a humanidade desta situação. Nada melhor para aumentar seu próprio senso de importância do que tornar-se defensor do ideário que redimirá o mundo.

Tal arrogância é terreno fértil para germinar a frustração. O intelectual revolucionário, principalmente ao sair da sua bolha, sente que as pessoas comuns não ligam para suas ideias de um paraíso terreno ditatorial, Afinal, berrar contra a burguesia opressora não coloca comida na mesa, nem paga o ônibus ou a roupa dos filhos. Exceto se você é um intelectual militante do Partido.

Esta sensação de insignificância era atenuada pela popularidade dos governos petistas e as gordas verbas que estes torravam para financiar os intelectuais na mídia e nas universidades. Mantinha-se a ilusão de que eles tinham controle sobre a opinião popular, que o povo agora se tornava "consciente" graças a eles e muito em breve nos tornaríamos avançados como a Venezuela.

Mas tudo começou a ruir com a Lava-Jato. As manifestações pelo impeachment de Dilma, com milhões de brasileiros de todas as classes sociais nas ruas, foi um choque para os intelectuais. Treze anos de privilégios petistas e cargos de autoridade não os fizeram dominar a cabeça do cidadão comum como ilusoriamente acreditavam. A rejeição à tese do "golpe" e do modelo petista nas eleições municipais de 2016 terminaram de colocar um gosto amargo na boca dessa elite.

O discurso da luta de classes está distante do povo, que prefere fazer suas próprias escolhas a se ajoelhar diante das cátedras universitárias e dos supostos formadores de opinião. O pobre de direita não é uma espécie de aberração a ser estudada por intelectuais, mas um cidadão que pensa por conta própria e deve ter sua opinião respeitada. O Brasil não é o laboratório de um grupo de iluminados, e felizmente os relembrou disso.

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