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Brexit: Em defesa da liberdade do Reino Unido

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BREXIT
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A reação da mídia ao resultado do plebiscito do Reino Unido mostra como ela utiliza o poder das narrativas para manipular o imaginário da sociedade.

Inúmeros grandes veículos, tanto brasileiros quanto estrangeiros, repetiram que a vitória do "sair" foi uma catástrofe. Foi o triunfo ''da extrema-direita, do populismo, da xenofobia, do racismo''. Tal discurso unilateral e propagandístico foi pouco questionado.

Os poderosos apoiadores do "ficar" realizaram tamanha demonização do "sair" que isto azedou tanto o debate britânico quanto a discussão internacional após a apuração dos votos.

Os apoiadores do "sair" foram rotulados como pessoas ruins, de valores desprezíveis, e negados qualquer espaço relevante para expor seu ponto de vista ou defender-se das acusações.

Quem une a União Européia?

A ideia de ver os povos da Europa unidos sob a mesma bandeira, sem fronteiras ou diferenças entre eles, pode soar bonita em um primeiro contato, mas guarda graves problemas que não podem ser ignorados.

Tal união continental, para fazer valer estes ideias em seu território, precisa de um governo também continental que certifique a obediência às regras desejadas.

Não apenas uma moeda e política imigratória comum são impostas, mas uma série de regulações econômicas e políticas ditam como os países-membros se relacionarão entre si e com aqueles fora do bloco.

Estes imensos poderes sobre quinhentos milhões de europeus em quase trinta países se concentra em Bruxelas, daonde saem diretrizes para toda a UE.

Tal governo continental fragiliza soberanias nacionais e enfraquece comunidades locais por toda a Europa. Decisões importantes para o dia-a-dia das pessoas comuns são tomadas delas e entregues a burocratas que elas jamais viram.

Eis outro problema da UE: a falta de representatividade política.

Grande parte dos atos da União Européia não é decidido por políticos eleitos, mas sim por corpos burocráticos que passam longe do crivo popular.

Funcionários destes órgãos planejam, discutem e executam as regras que serão impostas aos povos da União, sem ter que dar satisfação a estes governados .

O documentário Brexit: O Filme ilustra com perfeição a falta de transparência e a quantidade absurda de normas que tais entidades supra-nacionais estabelecem. É o poder sem responsabilidade.

O que dizem os apoiadores do "sair" ?

A pretensão britânica com a saída da União Européia poderia ser resumida em dois desejos: independência e autonomia.

Aproximar o poder governamental das pessoas comuns, devolvendo poder decisório para Londres, é uma forma de aumentar sua sintonia com o povo e fortalecer os mecanismos democráticos que tornam os políticos servos de seus eleitores, e não seus mestres.

Com quem o Reino Unido fará trocas comerciais, sob quais regras funcionará o mercado britânico, como será o controle de suas fronteiras e quem escolherá tudo isso são algumas das questões essenciais para o eleitorado que votou pelo Sair.

Os britânicos tem uma admirável história em defesa da liberdade e soberania de seu território, tendo enfrentado poderosos inimigos para preservar seu modo de vida, com líderes do porte de Napoleão e Hitler ambicionando domina-los.

Nas devidas proporções, a União Européia também é vista como um conquistador que busca impor-se através da força, com uma capital estrangeira ditando regras ao povo britânico.

Enquanto tal tirania deve ser rejeitada por boa parcela dos habitantes da UE, ela encontra uma oposição especialmente forte no Reino Unido, pela questão histórica aqui apontada.

Não apenas tal questão cultural é ignorada nas discussões sobre o Brexit como existe uma pressa em rotular negativamente os apoiadores do "sair" enquanto se esconde que os mais pobres e os mais velhos votaram para abandonar a UE.

As perspectivas econômicas das famílias de baixa renda e a experiência daqueles que viveram antes e durante a entrada britânica na União parecem não interessar os ''modernos e tolerantes'' apoiadores do "ficar".

Claro, o Reino Unido pós-Brexit terá que fazer acordos comerciais com a União Européia e respeitar as condições estabelecidas. Mas esta é uma via de mão dupla, visto que o mercado europeu também depende muito da parceria com os britânicos.

Fora que as possibilidades abertas pelo Brexit não estão na UE, mas fora dela: livre das amarras do bloco, o Reino Unido tem agora plena autonomia para realizar acordos bilaterais com o planeta inteiro, uma liberdade promissora no que diz respeito aos negócios com os países emergentes.

É um indicativo do porque o mercado aumenta seu otimismo e recupera o valor das ações na Bolsa de Londres. O futuro está mais imprevisível, mas também pode trazer novas chances de prosperidade.

O plebiscito do Brexit foi uma bela demonstração de como os britânicos valorizam sua democracia. Enquanto ninguém sabe o que virá pela frente, escutar os dois lados dessa questão política é vital para que o debate público seja melhor que um vale-tudo de grupos organizados. E a imposição da mídia de uma visão preconceituosa do Sair vem impedindo qualquer chance de discussão saudável.

O Brexit não se trata de um ataque contra ninguém, mas de uma tentativa de restaurar os valores que tornaram o Reino Unido uma nação livre e próspera.

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