Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Luiz Guilherme Medeiros Headshot

A cultura é criada pelo povo, não pelo governo

Publicado: Atualizado:
MINISTRIO DA CULTURA
reproducao/twitter
Imprimir

A proposta de fundir o Ministério da Cultura ao Ministério da Educação causou polêmica nos primeiros dias do governo Temer.

Ao invés de ser comemorada como uma medida em favor do ajuste fiscal e da redução do Estado para suas funções essenciais, a esquerda tratou a medida como um ataque ao próprio meio cultural brasileiro.

É uma reação típica dos detentores da mentalidade estatista, que até semanas atrás levavam o Brasil para o grupo de países mais sufocados do planeta em liberdade econômica.

Habituados a ter um órgão governamental controlando tudo que for relevante à nação, este grupo apresenta grande hostilidade às ideias de liberdade, considerando absurdo que a sociedade toque adiante seus afazeres de maneira independente ao Estado.

A cultura brasileira e a Cultura do Ministério

Criado em 1985 por decreto de José Sarney, o Ministério da Cultura alega ter como finalidade ''a política nacional de cultura e a proteção do patrimônio histórico e cultural''.

Logo de início, é possível indagar: existia cultura brasileira antes de 1985?

Se tomarmos o Barroco (século XVII) como ponto de partida, não teremos problemas em citar uma quantia exuberante de homens e mulheres dos mais variados estilos e origens cujas contribuições enriqueceram o Brasil.

A resposta, portanto, é sim. Em larga parte de nossa história, a expressão artística aflorou sem depender do aval de uma repartição pública.

A esquerda de hoje deveria ser a primeira a reconhecer tal fato, visto que a maioria dos artistas simpáticos à sua ideologia começaram suas carreiras não apenas de forma autônoma, mas francamente opositora a um governo: o regime militar.

Aliás, o regime militar mostra o real efeito da intervenção do Estado no âmbito cultural: incentivar a disseminação do que é desejado por um punhado de burocratas em detrimento dos valores e preferências dos milhões de cidadãos que formam a sociedade civil.

É a diferença entre a cultura e a Cultura: a primeira é oriunda da formulação espontânea e dinâmica do povo, a segunda vem do patrocínio do governo central ao que convêm aos seus interesses.

Não surpreende, portanto, que artistas privilegiados com a verba estatal agiram como uma verdadeira organização sindical ao verem sua generosa fonte de verba, tomada a força do pagador de impostos, ameaçada pelos cortes de gastos do governo Temer.

Contudo, o fato é que o país não tem como prioridade permitir que Tico Santa Cruz e Maria Bethânia consigam milhões de reais via lei Rouanet para tocarem adiante o que bem der em suas telhas. Trata-se de um perverso mecanismo de transferência de renda.

Pela liberalização da cultura

Não devemos ter a expressão artística nacional controlada, ou sequer liderada, por um órgão governamental.

Centralizar os recursos e decisões quanto ao meio cultural é ir contra a pluralidade de expressão e pensamento encontrados na população, dando poder ao governo e grupos de interesse em detrimento do cidadão comum e do que ele considera digno de incentivar e perpetuar como o imaginário brasileiro.

O Estado pode ajudar muito as artes nacionais só de não atrapalhar.

A isenção tributária a ferramentas essenciais (desde instrumentos musicais até equipamentos audiovisuais das artes cênicas), o livre-mercado nas telecomunicações (melhora de preço e velocidade de nossa Internet) e novos incentivos fiscais para empresas investirem no setor (independentes de crivos do governo) são algumas medidas que tornariam o meio artístico mais acessível financeiramente e mais atrativo para o recebimento de patrocínio.

Vale enfatizar o papel da Internet: iniciativas como o Kickante fazem toda forma de produção, desde livros até filmes, se tornar viável caso consiga conquistar o apoio do público para a empreitada.

É desta cultura liberal, a criação descentralizada de artes com real significado para os cidadãos, que o Brasil precisa. A Cultura, aquela escolhida e financiada com a canetada de burocratas e o dinheiro do povo, é um ranço autoritário que não pertence à uma sociedade livre.

LEIA MAIS:

- O fim do governo Dilma e o começo da reconstrução nacional

- Cunha afastado: Os petistas perdem um espantalho

Também no HuffPost Brasil:
Close
14 pinturas que revolucionaram a arte
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual