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Cunha afastado: Os petistas perdem um espantalho

Publicado: Atualizado:
EDUARDO CUNHA
REUTERS/Mike Segar
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A decisão de Teori Zavascki de afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara foi um momento curioso da atual crise política brasileira.

Cada um dos lados da disputa do impeachment, naturalmente, reagiu ao acontecimento. E isso revelou a diferença entre os fatos e uma narrativa vigente.

Qual narrativa? A ficção de que o movimento pró-impeachment era amigo, ou até mesmo massa de manobra, do presidente da Câmara.

Repetiu-se exaustivamente a ideia de que o impeachment era uma ''vingança'' de Cunha, a despeito de o deputado ter arquivado processos contra Dilma Rousseff durante quase todo seu primeiro ano no comando da Casa.

Igualmente requentada foi uma foto do Movimento Brasil Livre entregando seu pedido de Impeachment ao Presidente da Câmara. Apesar de o MBL ter se posicionado contra Cunha, e de o impeachment ter sido autorizado apenas sob novo pedido e seis meses após a infame imagem, a propaganda petista buscou difamar o grupo liberal forjando uma associação entre as duas partes.

E a propaganda não limitava-se ao MBL, mas assumia o amplo escopo do movimento pró-impeachment: quem estava contra Dilma, segundo a esquerda, estava a favor de Cunha. E assunto encerrado.

Motivando a militância vermelha

A narrativa tinha objetivo claro: denegrir a imagem de um movimento popular, pacífico e constitucional pela deposição da presidente da República, buscando torná-lo indistinguível da figura de um deputado envolvido no petrolão.

Que a historinha carece de racionalidade, não existe dúvida. Mas a bizarra ''decorrência lógica'' de fazer apoiadores do Impeachment tornarem-se, subitamente, defensores de um corrupto serviu para constranger cidadãos a não tomarem a posição que consideravam correta.

Uma tática muito conveniente para os esquerdistas dispostos a defenderem a petista que 68% da população quer ver deposta: se é inviável melhorar a imagem da presidente, resta tentar desgastar a imagem de quem se opõe a ela.

Cunha, portanto, servia de espantalho perfeito para encarnar o Impeachment: corrupto, desafeto do Planalto e evangélico, era o alvo ideal para provocar a fúria dos movimentos de esquerda e incendiá-los em defesa do governo Dilma.

A narrativa some, e a realidade aparece

Quanto ao afastamento de Cunha, as imagens mostram dois casos:

1- Um dos posts comemorativos do MBL:
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2- Um artigo do veículo de esquerda Revista Fórum

Essas foram reações frequentes dos mais aguerridos opositores e defensores de Dilma, respectivamente.

Enquanto outros grupos pró-Impeachment, como o Vem Pra Rua, seguiram o primeiro, outros veículos pró-PT, como a Carta Maior, seguiram o segundo.

Segundo a narrativa petista nos levaria a crer, o afastamento de Cunha deveria ter sido seguido por protestos de rua ou, no mínimo, uma nota de repúdio dos movimentos pró-Impeachment, seus ''aliados''. No entanto, a aprovação da notícia é unânime neste meio.

Da mesma maneira, os veículos de esquerda deveriam estar comemorando a queda do presidente da Câmara, que foi alvo de seus ataques e protestos durante meses. No entanto, o desgosto com a notícia é perceptível.

Um dos ícones do petrolão, Cunha teria sido utilizado pela esquerda como forma de atacar a legitimidade do governo pós-Dilma. A irritação visível dos articulistas pró-PT com seu afastamento se dá pela perda de uma valiosa arma que utilizariam por anos em retaliação ao Impeachment.

O ''Fora Cunha'' tinha como finalidade maior a mobilização da militância petista e o desgaste da oposição civil por meio de sua associação a um corrupto.

Seu afastamento não apenas fragiliza os grupos pró-PT como desconstrói a visão de que ele era o mentor do ''golpe''.

Graças ao Supremo Tribunal Federal, dias ainda mais difíceis virão para aqueles que utilizavam um corrupto como desculpa para defender Dilma Rousseff e seus crimes fiscais. Ponto para a República.

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