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O 'anti-petismo' chegou até as urnas

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MUNICIPAL ELECTIONS BRAZIL
Brazil Photo Press/CON via Getty Images
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As eleições municipais de 2016 continuam a mudança política observada no decorrer do processo do impeachment: a queda do petismo e a ascensão de alternativas liberais para o Brasil.

A disputa mais emblemática neste 02 de Outubro foi a da Prefeitura de São Paulo, onde o candidato tucano João Dória conseguiu o feito histórico de se eleger em 1º turno.

O resultado é inédito de outras maneiras: Doria possui um perfil mais liberal que a velha guarda social-democrata do PSDB, tendo enfrentado oposição dentro do próprio partido pelo seu perfil e suas propostas.

Falando abertamente em privatizações e liberalização econômica, o empresário enterrou o mito de que tais ideias não são politicamente viáveis ao vencer em 56 das 58 zonas eleitorais, incluindo toda a periferia paulistana.

Doria contou com o apoio do Movimento Brasil Livre, que também emplacou um de seus ícones na Câmara dos Vereadores. Liberal, negro, de origem humilde e homossexual, Fernando Holiday tornou-se vereador com 48 mil votos em uma das mais austeras campanhas políticas do país.

É um atestado da força dos movimentos liberais na internet, onde é possível que campanhas alcancem um público crescente a custos mais baixos do que a divulgação tradicional na televisão e nos jornais.

Também é notável a vitória de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) sobre Raul Pont (PT) e Luciana Genro (PSOL) para a Prefeitura de Porto Alegre, tendo ultrapassado ambos os candidatos da extrema-esquerda para chegar ao 2º turno contra Sebastião Melo (PMDB).

Marchezan, também apoiado pelo MBL, tem como bandeiras a redução da máquina pública, a desburocratização do município e a facilitação do empreendedorismo. Como deputado federal, protagonizou episódios se opondo aos super-salários do Judiciário, denunciando o corporativismo dos sindicatos e exigindo o fechamento da Justiça do Trabalho.

Tanto ele quanto Doria refletem uma oposição ao petismo de viés mais liberal: há uma ênfase em diminuir o poder político e aumentar a autonomia da sociedade civil.

Holiday é apenas um dentre vários exemplos pelo país de candidatos liberais a vereador que tiveram sucesso em seus municípios. O Partido NOVO, sem coligação e em sua primeira disputa, conseguiu eleger representantes em quatro capitais.

Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores vivencia uma derrocada sem precedentes em suas fileiras.

O Partido encolheu quase dois terços em relação à 2012, passando de 630 para 256 prefeituras sob seu comando.

O PC do B, sua principal linha auxiliar, conquistou meras 80 prefeituras. O PSOL, tido como seu herdeiro político, conquistou apenas duas.

Fica nítido que os brasileiros não compraram a narrativa do ''golpe'', rejeitando os candidatos de extrema-esquerda que alegam que Dilma em nada errou ao praticar seus crimes fiscais.

A reação petista ao fracasso eleitoral do Partido e seus aliados mostra que a autocrítica continua ausente: velhas acusações contra o ''golpe'', a mídia, a classe média e as elites se seguiram.

Os números podem mostrar que o povo rejeitou seu projeto de poder até mesmo em redutos tradicionais da legenda, como São Bernado do Campo, mas a alta cúpula petista parece determinada a seguir uma tese que o povo simplesmente não compra.

Existe uma perspectiva sólida de vermos mais uma derrocada desta extrema-esquerda em 2018, com ela encolhendo no âmbito parlamentar e dos governos estaduais. Com perdas tão pesadas em âmbito municipal, um retorno ao Planalto também se torna mais difícil. A insistência no discurso radical apenas agrava tal cenário.

As forças do impeachment foram as grandes vitoriosas de 2016. Com PMDB e PSDB crescendo, os conservadores mostrando peso eleitoral e os liberais chegando na política e promovendo uma guinada ideológica para seu campo, o Brasil continua a se afastar da Venezuela de Maduro e se aproximar da Argentina de Macri. A dúvida que fica no ar é se o petismo abandonará o desejo reacionário de voltar aos tempos de sua hegemonia ou continuará a caminhar para a autodestruição.

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