Huffpost Brazil
BLOG

Apresenta novidades e análises em tempo real da equipe de colaboradores do HuffPost Brasil

Luiz Guilherme Medeiros Headshot

O grampo de Jucá e as duas réguas morais da esquerda

Publicado: Atualizado:
ROMERO JUC
Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
Imprimir

Os diálogos de Romero Jucá, onde ele planejava agir contra a Lava-Jato se utilizando do poder no novo governo, evidenciam que o inchado e extorsivo Estado brasileiro ainda possui bandidos em suas entranhas, esperando a oportunidade de acobertarem sua sujeira sem acabarem atrás das grades.

Felizmente, seus planos fracassaram. Divulgados os áudios pela imprensa, a sociedade e os movimentos civis exigiram a deposição do ministro, sendo ele exonerado do cargo no dia seguinte.

O episódio mostra a bomba-relógio que virou o PMDB, um dos principais partidos beneficiários do Petrolão, estando integrantes do alto escalão na mira da Polícia Federal.

A incerteza que paira os investigados torna possível que um testemunho ou esquema criminoso venha a público a qualquer momento, desgastando o novo governo.

A agenda reformista de Michel Temer exige uma governabilidade maior que a de Dilma. A nomeação de Jucá para o Planejamento e Leonardo Picciani para o Esporte são uma tentativa de costurar boas relações com o Congresso, assumindo os riscos disso.

Como Jucá provou, a trajetória do presidente é um campo minado. Seguir em frente pode trazer um indesejado evento explosivo.

Os áudios, contudo, trouxeram duas boas notícias: o governo Temer é capaz de reagir ao clamor pela moralização de sua equipe e os movimentos liberais preservam sua postura de oposição.

A parte mais perturbadora do episódio não teve relação com os eventos que se sucederam, mas com o oportunismo dos extremistas de esquerda.

Pau que bate em Jucá, defende Lula

Aproveitando-se da indignação popular, a militância petista passou a entoar um coro ''eu avisei!'', alegando que os planos de Jucá inocentavam Dilma e desqualificavam o impeachment.

A narrativa desafia a lógica: o esquema criminoso de Jucá apagaria, de alguma forma, a fraude fiscal de bilhões de reais que Dilma cometeu para se perpetuar no poder.

Fundamentar um "Volta Dilma" sob tal premissa é absurdo. O impeachment foi um processo constitucional juridicamente perfeito. Tudo que os petistas tem para questioná-lo é o breve calor da emoção causado pelo escândalo do momento.

O oportunismo ainda por cima expõe a existência de duas réguas morais para a extrema-esquerda: crimes são válidos para o governo Dilma, mas condenáveis se feitos pelo governo Temer.

No caso dos áudios de Lula, onde o pretenso ministro foi pego também tentando obstruir a Justiça, tais extremistas não exigiram seu afastamento do governo, nem muito menos sua prisão.

Pelo contrário, a militância petista foi às ruas dizer que as acusações contra Lula faziam parte de um golpe jurídico-midiático. Ou seja, ele estava acima da lei, e aqueles que desejavam ve-lo punido por seus atos eram golpistas.

Vale lembrar que o ministro Mercadante passou por semelhante situação no governo Dilma, onde foi pego tentando comprar o silêncio de Delcídio Amaral na Lava-Jato.

A posição do Partido dos Trabalhadores e seus seguidores foi similar: Mercadante não estava sujeito ao crivo da Justiça, e ai de quem pronunciasse o contrário.

A despetização é uma necessidade do Brasil

Estes incidentes expõem uma militância que pensa ter uma ideologia acima das regras da República. Desde que os crimes visem fortalecer o PT e sua agenda, são considerados válidos, a ponto de serem defendidos com um ar de normalidade.

A simples negação da realidade, como fugir do fato de que o pacto de Jucá prometia proteger Lula, também é usada para se criar um mundo alternativo onde petistas não cometem crimes, mas são pobres vítimas deles.

Realizar uma pacificação nacional com tal fanatismo é inviável. O governo Temer deu sinais de que escuta, mas a extrema-esquerda não deu sinais de que dialoga.

Dilma e Lula são símbolos do petismo, que ambiciona a hegemonia no poder a todo custo. Enquanto a impunidade deles for defendida, saberemos que uma mentalidade bolivariana conspira contra a República.

Ou a esquerda abandona os ranços totalitários da estrela vermelha, ou os próximos anos prometem grandes tensões na política brasileira.

LEIA MAIS:

- A cultura é criada pelo povo, não pelo governo

- O fim do governo Dilma e o começo da reconstrução nacional

Também no HuffPost Brasil:

Close
Os ministros de Temer
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual