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O que a palavra uniu o tempo não separa

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Falar de literatura sob o calor de Boa Vista é sempre um gostoso desafio. O abrigo das paredes azuis da União Operária de Roraima nos protegeu do sol inclemente, hoje, enquanto o escritor Marcelino Freire reverberava dicas sobre como escrever e recitava versos, como quem reza. Versos de poetas conhecidos e anônimos. Em nós o deleito do ouvir.

Assim transcorreu a tarde desta sexta-feira de brasa. A inquietude do último dia. O fascínio pelo presente do momento e pelo momento presente. A oportunidade de poder estar diante de um escritor de verdade. Daqueles que vivem da escrita e pela escrita.

Conversar com Marcelino Freire foi uma mistura de emoção e sensação. O cabra sabe do que fala, como fala e porque fala. Foi uma tertúlia literária das boas. Ele próprio era o dito. Faz o dito. Ah, bendito que semeia palavras, cantos e ladainhas!

Foram dois dias de em diálogos literários. Prosa boa. Despreocupada. Cheia de ritmos e risos. A palavra intercalando o silêncio. O silencia dando cadência à palavra. Muitas vozes ao mesmo tempo. Todo mundo querendo saber e mostrando que sabe. Encantando e se encantado com o escritor que resolveu conhecer Norte e Nordeste pelos caminhos da literatura.

Marcelino queria impressões sobre Boa Vista. Queria despertar nosso olhar inaugural sobre as cosias daqui. Queira instigar e ser instigado. Instigamo-nos a nós todos. E uns aos outros. Marcelino deixa e leva experiência. Agora ele sabe que cruviana é vento frio. Que aqui chove sol todos os dias. Que o Caimbé é forte como o homem sertanejo. Quase uma fênix que renasce das cinzas.

Mais que uma oficina literária, o encontro com Marcelino foi o começo de uma amizade. Que vai durar ainda que não nos vejamos mais. Ainda que os anos passem e, ao passar, nos neguem a oportunidade do reencontro. Porque o que a palavra uniu o tempo não separa. E assim foi. E assim será!

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