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Da renúncia à anistia: Por que Cunha não cai

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CUNHA
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A renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara se soma à sequência de atos que diminuem a pressão para o fim definitivo do mandato do peemedebista. A cassação do parlamentar, em tramitação desde outubro, corre o risco de acabar em anistia.

Em 13 de outubro, PSOL e Rede entregaram a representação em que pedem o fim do mandato do deputado por mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. Usadas para bancar despesas de luxo lá fora, de acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), as contas foram responsáveis por tornar Cunha réu pela segunda vez no âmbito da Lava Jato em junho.

Desde o pedido feito pelas legendas de esquerda, deputados de partidos menores, como PCdoB, iniciaram um enfrentamento público ao peemedebista. Cunha chegou a ser chamado de gângster pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em abril, durante a votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Mas as vozes contrárias ao peemedebista demoraram para se tornar maioria na Casa. Fortalecido pelo apoio das bancadas evangélica, ruralista e da bala, junto com o "centrão", Cunha se mantinha impassível diante dos ataques pontuais.

Já com PT e PSDB, usava sua principal moeda de troca: a autorização para iniciar o afastamento de Dilma. Ao decidir pelo início do impeachment, em 2 de dezembro, horas após o PT anunciar que não o ajudaria no Conselho de Ética, Cunha começou a perder o poder.

Já os tucanos, que em 19 de novembro chegaram a encampar a marcha de "fora Cunha" dos deputados do plenário da Câmara até a porta do Conselho de Ética, deixaram para o segundo plano a saída do peemedebista desde dezembro.

O Supremo Tribunal Federal (STF), por sua vez, também esperou a Câmara concluir sobre a saída de Dilma antes de decidir sobre a saída de Cunha. Demorou seis meses para o relator da Lava Jato, ministro Teori Zavascki determinar - e o plenário ratificar - o afastamento do deputado por obstruir as investigações e o processo de cassação de seu mandato.

De acordo com a PGR, o peemedebista usou a estrutura da Casa para intimidar empresas ligadas ao esquema de desvio de recursos da Petrobras, além de efetuar inúmeras manobras que tornaram seu caso o mais longo da história do Conselho de Ética.

Em 5 de maio, dia do afastamento de Cunha, teve opositor que comemorou. Mas os aliados viam a decisão como argumento para minimizar a pressão por cassá-lo. Afinal, ele não rondava mais os corredores do Congresso.

A influência de Cunha, contudo, permaneceu. Além de André Moura (PSC-SE) como líder do governo interino de Michel Temer, Cunha emplacou seus advogados no Ministério da Justiça e Casa Civil. E tenta agora garantir o novo presidente da Câmara.

Sem a presença física, acabaram os constrangimentos em plenário. Para quem gritar "fora Cunha" com Cunha fora?

A renúncia desta semana segue o mesmo raciocínio. Cunha terá de sair da residência oficial em Brasília, mas mantém o foro privilegiado. Ou seja, fica fora do raio de atuação do juiz Sérgio Moro e continua sob a guarda do Supremo, alvo de críticas pela morosidade ou julgamentos mais políticos do que jurídicos.

Réu na Lava Jato desde 3 de março por corrupção e lavagem de dinheiro, o parlamentar acumula um histórico de denúncias. Três delatores relataram esquema em que o deputado teria recebido US$ 5 milhões em contrato das empresas Samsung e Mitsui com a Petrobras. Cunha é acusado de usar aliados para pressionar as companhias após a interrupção no repasse do dinheiro.

Em agosto de 2015, ele se tornou o primeiro presidente da Câmara a ser denunciado pela PGR.

Além dos US$ 5 milhões, pesa a acusação de ter recebido pelo menos 1,3 milhão de francos suíços (cerca de US$ 1,5 milhão) em contas na Suíça. O dinheiro teria vindo de propina pela viabilização da aquisição, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África.

Desviados da estatal, o dinheiro bancou compras da esposa de Cunha, Cláudia Cruz, e da filha, Danielle Dytz, em lojas de grife como Chanel, Dior, Balenciaga e Louis Vuitton.

O histórico criminal, contudo, parece ser ignorado por boa parte dos outros 512 deputados, que não têm pressa em votar a cassação.

A renúncia levou a acordo para adiar a análise do recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e voltar o processo para o Conselho. A definição em plenário, por consequência, fica só depois do recesso parlamentar.

LEIA MAIS

- Sim, a Câmara já combinou um jogo para salvar Cunha e está rindo de você

- 'NÃO SE VÁÁÁÁÁ!': 9 pessoas que estão ~chorando~ com a renúncia de Cunha

- Xiiiii... Cláudia Cruz 'foi encontrada' por Moro. E tem 10 dias para se defender

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