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O Brasil deseja renovação, novos nomes e uma forma diferente de fazer política

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RODRIGO MAIA
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
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Nosso presidencialismo de coalizão guarda contradições que geram crises em nosso sistema político. A falta de sintonia entre governo e parlamento tem sido uma das tônicas das tensões desde nossa redemocratização. O diálogo entre os dois poderes é fundamental para que uma agenda de longo prazo seja desenvolvida. Do contrário, o confronto entre ambos gera imobilismo, crises e processos de afastamento, em ambos lados do xadrez político.

Isto é ocasionado pelo anacronismo de duas eleições sem diálogo direto. A eleição presidencial corre em uma raia, enquanto as eleições parlamentares em outra. Por certo há uma influência entre ambas, mas a falta de uma correspondência direta ocasiona resultados ambíguos, que geram um ambiente político disfuncional.

Nas últimas eleições, a maioria do voto fez a opção por um caminho mais à direita nas eleições parlamentares, mas ao mesmo tempo escolheu para o Planalto um nome à esquerda. A crise estava desenhada antes mesmo do governo começar. Se somarmos o fato de que a eleita carecia de diálogo e estratégia política, a combustão era apenas uma questão de tempo, como realmente ocorreu.

Ao mesmo tempo, uma opção por um caminho à direita fez surgir uma maioria conservadora no parlamento, que agora articulada, recebeu a denominação de Centrão. Respondendo pela base que catapultou o processo de impeachment, assumiu o comando da coordenação política de Michel Temer na Câmara dos Deputados. Esta maioria, até pouco tempo silenciosa, tem conseguido fazer a leitura acertada da política brasileira e vem ganhando adeptos nas urnas. Deve ser a grande força nas eleições deste ano e prepara sua grande jogada em 2018.

É preciso ficar claro. Sem grandes cardeais, este exército de parlamentares tomou o controle do jogo político na Câmara dos Deputados, desarticulando o sistema de poder anterior. Ao fornecer voz e vez aos deputados outrora chamados de baixo-clero, subverteu a lógica e impôs sua agenda chamando o controle do jogo para si. Neste clube não jogam tucanos, democratas ou socialistas. Ali está uma ampla gama de partidos que passam pelos novos trabalhistas, sociais-cristãos/democráticos/liberais, progressistas e os chamados republicanos de diversas vertentes, uma espécie de nova direita ainda heterogênea, mas que vai afinando seu discurso.

Estes políticos foram aqueles que conseguiram enxergar a insatisfação do eleitorado expresso nas manifestações de três anos atrás. Os eleitores buscavam identidade, mudanças, outsiders. Direcionavam seu voto em temas de relevância para si. Enquanto os cardeais batalhavam seu lugar ao sol nas eleições majoritárias, o exército do hoje centrão arrebanhava votos nas eleições proporcionais com um discurso em sintonia com pesquisas qualitativas apuradas e estratégia política precisa. O resultado foi uma bancada robusta, que hoje comanda os destinos do país.

Portanto, a escolha do novo comando da Câmara dos Deputados passa por este grupo, assim como passam os destinos e projetos do governo Temer, que pode se tornar o embrião de uma mudança de modelo, na prática, parlamentar, deixando claro que nosso moribundo sistema de presidencialismo de coalizão precisa ser revisto por um sistema parlamentar que realmente dê voz ao cidadão.

As eleições municipais deste ano serão um grande teste. Os grupos que apostarem em grandes cardeais devem cair. Quem apostar em legendas tradicionais e nomes clássicos, deve sucumbir à força da renovação, dos partidos pequenos e médios e dos outsiders. O eleitorado mandou seu recado. Deseja renovação, novos nomes e uma nova forma de fazer política. Sem uma leitura apurada do cenário, muitos cardeais podem cair. O Brasil vive o momento de maior renovação política da história recente.

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