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O 'efeito Trump' soube trazer à tona o eleitor americano que estava esquecido

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DONALD TRUMP
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A eleição para presidente dos Estados Unidos mexeu com os brios do mundo. Os erros dos institutos de pesquisa e a torcida quase uníssona da imprensa em favor de Hillary foram os grandes responsáveis pela surpresa. Entretanto, para alguns a vitória do milionário, se não era esperada, pelo menos não causou espanto. Afinal, como dizia Magalhães Pinto, a política é como as nuvens, você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou.

E as nuvens se moveram em Ohio, um estado termômetro da eleição, que melhor reproduz os vértices eleitorais dos Estados Unidos. Trump venceu por lá e levou também a eleição nacional. Mais do que vencer em um local tão estratégico, o movimento tático de sua campanha foi perfeito. Subtraiu das mãos dos democratas também vitórias nos estados de Wisconsin, Michigan, Pensilvânia e Florida. Hillary esperava ganhar em todos, assim como fez Barack Obama em 2008 e 2012. Mas esta era uma campanha diferente.

Trump fez comícios na Pensilvânia, berço da indústria siderúrgica norte-americana, falando em palcos feitos de aço. Atacou a exportação chinesa e prometeu preservar os empregos locais. Sua fala era música para empresários locais e funcionários das fábricas. Mesmo sendo um bastião democrata, o estado entregou a vitória para Trump por uma diferença de 1,15%, ou 68.236 votos. No colégio eleitoral, o republicano levou os 20 votos do estado.

Trump soube falar ao eleitor americano médio, esquecido nas últimas campanhas presidenciais. Soube dar voz para as insatisfações pontuais em cada um dos estados chave para sua vitória


No Michigan, Trump também arrancou uma importante vitória. No antigo centro automotivo do país e epicentro do velho sindicalismo de James Hoffa, o republicano cravou sua bandeira vencendo por uma diferença de 0,25% ou 12.051 votos. Levou os 16 votos no colégio eleitoral.

Os republicanos ainda levaram Ohio, Florida e Wisconsin, mas se considerarmos que Hillary tivesse virado apenas Pensilvânia e Michigan, o resultado teria sido diferente. Trump teria chegado a 254 votos no colégio eleitoral e Hillary teria vencido com 268. Méritos para a máquina política de Trump que ganhou estados estratégicos e consolidou sua vitória.

Trump soube falar ao eleitor americano médio, esquecido nas últimas campanhas presidenciais. Soube dar voz para as insatisfações pontuais em cada um dos estados chave para sua vitória. Tinha um discurso protecionista para Ohio, Michigan e Pensilvânia, mas também de resgate do orgulho americano perdido na política externa de Obama. Soube ir além, impulsionando um exército de republicanos insatisfeitos até as urnas. O discurso sem meias palavras, direto e por vezes desconcertante, fez Trump vestir a roupa do outsider, um nome de fora da constelação de políticos tradicionais, disposto a levar um choque de gestão empresarial até Washington.

A sociedade nunca clamou tanto por ser ouvida. Este é o maior ensinamento deste ciclo eleitoral.

Esta talvez seja a maior lição que podemos tirar desta eleição. Um movimento de rejeição aos políticos que se espalha por todos os cantos do planeta já é uma realidade. Aqueles que entendem este fluxo do eleitorado são os mais propensos a sobreviver neste novo momento. O eleitor cansou dos políticos, da parcialidade da imprensa e está disposto a aplicar sustos naqueles que continuam a enxergar a política por uma ótica antiga e ultrapassada. Partidos tornam-se movimentos. Seus líderes, os novos eleitos. A sociedade nunca clamou tanto por ser ouvida. Este é o maior ensinamento deste ciclo eleitoral.

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