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Se eu fosse um homem...

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Eu não jogaria o jogo chamado: "Eu sou maior" na forma de "Eu faço mais", "Eu tenho mais mulheres", "Eu tenho o melhor título", "Eu tenho um posto mais alto", "Eu posso levantar mais peso na academia", e todos os outros "mais", "mais", "mais", em vez disso, gostaria de me definir como quem sou sem tentar impressionar os outros.

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Eu não fingiria ser forte quando me sinto triste. Eu não tentaria descobrir maneiras de esconder a minha vergonha. Eu não me esconderia sob a égide da racionalidade quando minhas emoções aparecessem. Eu não teria medo de dizer o que sinto, e eu entenderia que mostrar fraqueza é realmente o domínio da força.

Eu não tentaria provar aos meus amigos - que também estão fingindo o mesmo - que eu sou parecido com eles. Eles estão fingindo, porque eles não sabem quem são, e eles estão à procura de um substituto na forma de um modelo masculino real.

Eu não competiria a fim de provar que eu sou bom o suficiente, e eu não destruiria os outros para mostrar o meu próprio poder. Eu andaria o meu próprio caminho e desejaria isso aos outros também.

Eu não colocaria os outros para baixo a fim de construir minha autoestima. Eu não posso ficar mais alto cortando suas cabeças.

Eu não trabalharia tanto com a desculpa de que "eu estou fazendo isso por minha família", porque essa família preferiria ter um marido e um pai, em vez de uma história.

Eu não me sentiria rejeitado quando uma mulher me dissesse "não". Eu não sou um dólar verde que todos devem gostar.

Eu não diagnosticaria tudo. Eu não analisaria diferentes cenários durante horas. Eu não buscaria segurança apenas em minha mente - usando a racionalização o tempo todo, mas também no meu corpo, coração e intuição.

Eu não teria medo de pedir ajuda se eu não soubesse o que fazer, porque, se eficácia é a meta, então não importa se eu faço algo sozinho ou com outra pessoa.

Eu não falaria sobre as coisas como se eu as entendesse, quando na verdade eu não tinha ideia, só porque eu não queria parecer estúpido. A ignorância não é um julgamento, é apenas um fato.

Eu não me vestiria com as normativas das massas. Gostaria de usar aquilo que fizesse me sentir bem e que eu quisesse usar. Eu escolho a segurança de ser eu mesmo, e não ser invisível e aceito pela multidão anônima.

Eu não incorporaria os papéis arquetípicos de um menino à procura de sua mãe, de um patrão anormal controlador de todos a minha volta, de um adonis de bronze com seu abdômen trincado para ser admirado em seu carro barulhento, de um herói que deve sempre lutar contra os problemas de sua própria criação, de um sábio superchato e infernal que sempre tem uma teoria para compartilhar sobre tudo, ou de um rebelde que vive constantemente indo contra algo, que acha que vai se tornar ele mesmo sem ser outra pessoa. Em vez disso, eu sempre me perguntaria: "Quem sou eu?", e ainda mais importante, "Quem eu quero ser?"

Eu não jogaria os joguetes das mulheres, do tipo: "cuida de mim porque eu não posso fazer isso sozinha", "você é tão incrível", "eu sou tão única, e mereço tudo", "eu não preciso de você, eu não me importo com você", "Eu sou tão complicada que você nunca me entenderá", "são apenas os hormônios falando", "eu corro e você sempre me persegue", "se não fizer o que eu quero, você não me terá na cama", "você não me merece", "a vida não tem sentido sem você".

Porque estes são jogos baratos.

Não faz sentido jogar quando se sabe que você não vai crescer com isso.

Em vez disso, vamos criar jogos que desenvolvem os jogadores.

Os jogadores são você e eu.

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