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São tempos difíceis. E eu com isso?

Publicado: Atualizado:
SAD TIMES
Thomas Mukoya / Reuters
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São tempos difíceis. A cada dia que passa, parece que tudo se torna mais nebuloso. Não há dinheiro, não há emprego, não há saúde, não há paciência e muitos governantes e formadores de opinião que influenciam direta e indiretamente a grande massa, se assemelham aos vilões de histórias em quadrinhos com um requinte a mais de crueldade.

As coisas atualmente correm com força tremenda em um rio derradeiro como que a se direcionar para um oceano de catástrofes e perdas.

O planeta está respondendo cada vez mais violentamente ao nosso descaso, e o ser humano tem se tornado, sem perceber, o maior destruidor de si mesmo.

E como manter a fé de que as coisas vão melhorar? E como agir corretamente, sendo que num piscar de olhos, vem um e passa a perna na gente?

Uma vez, quando era ainda adolescente, em uma conversa sobre relacionamento e traições, me falaram que o que importa é nossa consciência limpa, pois é ela que mais cobra da gente. Todos que tem uma forma de pensar coerente, tem caráter e o mínimo de empatia ao próximo, sabe quando está fazendo algo errado, diria até que, mesmo os que não são muito estáveis das ideias, percebem intuitivamente que não estão agindo corretamente, com a diferença que estes sentem menos remorso.

Acredito que isso pode ser aplicado a tudo, e com base neste raciocínio fica mais fácil de pensar que, apesar dos pesares, o essencial é manter a nossa consciência limpa, fazer sua parte. E isso não é se calar, assistindo de camarote as coisas lamentáveis que o palco da vida tem nos mostrado, e sim, gritar aos sete ventos por justiça. Lutar, de forma pacífica, escrever, gravar, caminhar, se manifestar. Sem agredir, xingar, maltratar.

Tão difícil manter o equilíbrio em meio ao caos. Mas mais difícil é deitar a cabeça no travesseiro com a cabeça a milhão, te cobrando uma posição a respeito de sua realidade, ou te julgando por alguma atitude impensada e egoísta.

Manter a consciência limpa não é ser conformado, é agir, mas sem fazer algo que sabe que é errado, sem fazer com os outros o que não gostaria que fizessem contigo. É mais profundo, é se manter paciente, dentro do seu templo pessoal, você mesmo.

Longe de querer parecer um discurso religioso, isso tem mais a ver com o real e palpável momento de agora. Tem a ver com a conversa sua com você mesmo. As coisas estão acontecendo, o mundo tá girando, e a cada minuto temos a chance de mudar tudo, na nossa vida, e na dos outros, para melhor.

E se as coisas não mudarem? Bom pelo menos você vai ser uma das pessoas que saberá que lutou por algo diferente, não fez parte da massa de manobra, e nem agiu de forma que vá se cobrar um dia.

Temos o poder de salvar vidas, ou deixá-las no fundo do poço. A escolha sempre parte de nós mesmos.

Não se esqueça, você pode ser a diferença de que o mundo precisa para mudar o rumo do rio.

LEIA MAIS:

- O despertar para a consciência negra e um convite à reflexão

- Em defesa da sanidade materna

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