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App de relacionamento: Um cardápio muito farto de pratos meia-boca

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Vou começar o texto com uma pergunta quase inquestionável: quem nunca? O namoro acabou, a solidão bateu, você tava se sentindo a mosquinha do cocô do cavalo do bandido e, de repente, surge a possibilidade de, no conforto do seu lar, conhecer gente nova. Na teoria, parece melhor que fazer compras num e-commerce. É de graça, você escolhe os produtos que mais se interessa e, por mais viciante que possa parecer, a única semelhança é que a prática compulsiva pode deixar seu nome sujo na praça.

Para quem está começando, a paciência é uma virtude. Ver que há um mar de gente interessada em você faz bem pro ego, mas depois das primeiras conversas, a repetitividade do papo deixa qualquer um extremamente incomodado. Fala de onde, curte o quê e o que busca por aqui? A vontade de copiar e colar frases prontas não rola só por aí - e eu garanto que muitas vezes as respostas que você recebe também já foram transcritas, de cor e salteado, em diversas outras janelas por aí.

Depois de um bom tempo criando lesões por esforço repetitivo por virar o dedo pra esquerda ou pra direita, cheguei à conclusão de que estar num aplicativo assim é como ir àquele famoso restaurante da sua cidade que, à primeira vista parece incrível, mas que te deixa perdido em meio a tantos pratos no cardápio. Depois de uma boa folheada, é inevitável pensar: com tantas opções, como saber que, independentemente da escolha, chegará à minha mesa um prato inesquecível? Traduzindo aos inócuos às comparações gastronômicas: por que não pensar que seria muito raso da nossa parte querer namorar alguém baseado tão-somente nos ângulos certeiros das fotografias no perfil de cada um?

"Ah, mas eu nem quero namorar", diz você, esquecendo os domingos à noite de depressâo pós-balada. Se você é altamente bem-resolvido, que ótimo. Mas o que mais tem por aí é gente querendo encontrar uma companhia intermitente para um jantar a 2, um carinho pros dias de tédio e um protagonista pra viver histórias loucas do seu lado. Que mal há nisso? Nenhum. O problema é depositar nos Tinders e Happns da vida uma responsabilidade que, desculpem-me as novas tecnologias, funciona muito melhor com uma receita à moda antiga.

Não acho que você deva apagar seu aplicativo e sair correndo para o mercado mais próximo em busca de alguém para cruzar olhares no setor de hortifruti. Só penso que, depois de anos em busca de alguém especial, descobri o real motivo pelo qual uma porção de gente está só - e se cansou de ser sozinha. A partir do momento em que você para de se preocupar em descolar um namoro e não vê a vida passar como um colecionador de match num cardápio meia-boca, entende que os melhores restaurantes às vezes estão escondidos em ruelas que nunca passamos. E que, perdoem-me a metáfora, nada mais charmoso que descobrir, ao acaso e despretensiosamente, um bistrô recém-inaugurado. Ou que, vai saber, já tem anos de tradição e, sem perceber, esteve sempre ali, a poucas quadras de você.

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