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ONU pede paz no mundo durante realização de Olimpíadas e Paralimpíadas

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Ban discursa sobre Rio 2016 durante reunião em Genebra. Foto: Jean-Marc Ferré

As Nações Unidas lançaram um apelo a todas partes do mundo em conflitos e guerras para deporem suas armas durante a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, no Rio de Janeiro.

A chamada trégua olímpica começa sete dias antes da abertura das competições, marcada para 5 de agosto, e termina em 25 de setembro, uma semana depois da Paralimpíada.

O pedido foi feito em mensagem de vídeo pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que traçou um paralelo entre a determinação dos atletas de superarem recordes da capacidade humana e uma fonte de inspiração a indivíduos e países para irem alem dos limites do possível.

Valores

Em vídeo divulgado pela Rádio ONU, Ban diz que a garra de quem luta por uma medalha deve se converter em incentivo para silenciar as armas nos campos de batalha.

O chefe da ONU afirma que a trégua "seria uma manifestação dos valores que os Jogos promovem: respeito, amizade, solidariedade e igualdade."

Ban Ki-moon, que participou da abertura de outras competições olímpicas incluindo a última em Londres, falou do caráter pioneiro dos jogos no Rio de Janeiro, os primeiros na América do Sul.

Ele destacou ainda a participação inédita de refugiados atletas, promovida pelo Comitê Olímpico Internacional, COI, e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

Refugiados

Para Ban, a iniciativa demonstra ao mundo a força dos refugiados, obrigados a fugir de suas casas por causa de perseguição, violência e outros perigos. Segundo ele, não poderia haver melhor prova de solidariedade a essas pessoas que a observação da trégua olímpica.

O COI escolheu 10 refugiados para formar a delegação. Cinco são do Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo. Na quinta-feira, 28, a equipe de velocistas, formada por duas mulheres e três homens, embarcou para o Rio de Janeiro.

A maior parte do treinamento rígido foi feita no acampamento de refugiados Kakuma, uma região do norte do Quênia. No caminho para o Brasil, eles passaram alguns dias em Nairóbi, capital queniana, para intensificar a rotina de treinos. Os atletas sul-sudaneses vão se juntar a outros cinco refugiados da Etiópia, da República Democrática do Congo e da Síria.

Muhammad Ali

Os sul-sudaneses contaram ao Acnur que jamais tinham saído de seu país até chegar ao Quênia 10 anos atrás fugindo da guerra. Para eles, participar da competição internacional é mais que um sonho, representa uma esperança de dias melhores.

No caso deles, o silêncio das armas sinaliza um novo caminho de entendimento e diálogo não só entre as partes em conflito, mas entre os povos.

Ao finalizar a mensagem, o secretário-geral lembrou de um outro campeão olímpico, o pugilista dos Estados Unidos, Muhammad Ali, que acreditava utilizar o boxe como uma plataforma para "chegar às pessoas".

Para o secretário-geral, o exemplo do pugilista e Mensageiro da Paz da ONU serve de reflexão a todos que participam de conflitos no mundo a depor suas armas e a deixar que a chama olímpica silencie os disparos.

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