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Lições sangrentas: Um ano de terrorismo na Turquia

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ATATURK
Osman Orsal / Reuters
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Istambul, Ancara, Bursa, Gaziantep e Diyarbakır: essas são algumas das cidades que sofreram o flagelo do terrorismo na Turquia no último ano. As estatísticas indicam que nesse período, o país foi alvo de quinze importantes atentados terroristas, que deixaram como saldo 285 mortos e 1497 feridos. A grande maioria se deu por ataques suicidas ou carros bomba.

Estado Islâmico (EI), PKK e TAK (facção separada do PKK, mas com objetivos análogos) são os principais perpetradores. A grande maioria dos alvos do EI foram lugares simbólicos e importantes para a indústria turística, que responde por 5% do PIB turco.

Aos alvos militares e de segurança de uma maneira geral, que são associados à repressão severa aos curdos do sudeste, são imputados a autoria de militantes curdos do PKK e do TAK, embora o último tenda a executar ações nas principais cidades.

Acontece, porém, que nessa conta entram ainda atentados que se acredita que tenham sido levados a cabo pelo EI, tendo por alvos os curdos, como aqueles ocorridos em Suruç e Ancara, em julho e outubro de 2015, respectivamente.

Pois é: EI contra interesses turcos, PKK e TAK contra autoridades turcas, e EI contra curdos - que representam a mais forte resistência a seus interesses no Iraque e na Síria - em geral. Não é só que existe uma presença crescente do terrorismo no país, mas que os grupos que lançam mão dessa tática, também lutam entre si.

O atentado ao aeroporto Atatürk, no lado europeu de Istambul, ainda não teve autoria reconhecida. As marcas deixadas, contudo, indicam ser obra do EI, já que o alvo tem tanto impacto econômico e quase que segue uma sequência lógica de importância: primeiro foi Sultanahmet, no coração histórico da cidade, em janeiro deste ano e que vitimou turistas alemães, e depois, já em março, o alvo foram turistas israelenses na movimentada e mais moderna avenida Istiklal, na região de Beyoglu.

O aeroporto Atatürk é a porta de entrada de parte considerável dos milhões de turistas que costumam visitar o país, além de hub importante conectando - em grande medida através da Turkish Airlines - por exemplo, São Paulo e Buenos Aires (que contam com vôos diários para a antiga capital turca), com lugares como Astana, Baku, Ulan Bator e Tashkent.

Dessa vez, porém, as vítimas são em grande maioria turcas - muitos funcionários do aeroporto, motoristas de taxi e profissionais de alguma forma ligados ao turismo -, e estrangeiros muçulmanos. Do que foi até agora divulgado, fala-se de cinco sauditas, dois iraquianos, um jordaniano, um tunisiano, um iraniano, um uzbeque, além de um chinês e um ucraniano.

Pode-se pensar que o timing seja, sobretudo, ligado ao reatamento de relações com Israel, rompidas desde 2010 em virtude do caso Mavi Marmara, além do esforço para normalizar as relações com os vizinhos como a Rússia de Putin.

É importante, porém, também se levar em consideração, que nas últimas semanas o governo turco vem tomando atitudes enérgicas contra o EI, seja com mais rigor no controle das fronteiras, bombardeando posições suas próximas ao limite com a Síria de onde se realizavam ataques a mísseis para território turco, ou prendendo e condenando dezenas de ativistas do grupo.

Uma das principais lições, especialmente em relação ao EI, é que o envolvimento em uma guerra civil num país vizinho tem grandes chances de ter um efeito bumerangue sobre a segurança do Estado.

Já quanto à questão curda, a violência gera mais violência e somente o fim das operações militares no sudeste da Turquia, permitirá a abertura de um canal para a paz e institucionalizar, finalmente, a integração da minoria curda no país.

Os terroristas odeiam a paz, esta é a pior arma para seus objetivos

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