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O discurso de ódio no dia a dia

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HATE POLITICS
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Acho que virou mania de muita gente entrar no Facebook, ou em qualquer outra rede social, e ver o duro embate entre diferentes, e divergentes, opiniões sobre política, feminismo, capitalismo, socialismo, felicidade, dinheiro, profissão e qualquer outro tema. Algumas pessoas não ficam só na leitura, e partem para o "combate digital". Bom, não quero ter a prepotência de falar o que é certo ou errado nisso, acho que nem devo e nem posso. No entanto, algo me assusta e me entristece por tudo que é visto no debate. O que é? O discurso de ódio.

Sérgio Buarque de Holanda escreveu um excelente livro na década de 30, Raízes do Brasil, onde em um especifico capítulo explica a cordialidade do brasileiro. Cordial. Sim, o brasileiro atua pelo coração, tanto no amor como no ódio. E isso, historicamente, pode explicar muita coisa sobre da onde vem e o que é esse discurso de ódio. O historiador e professor Leandro Karnal fala muito bem sobre a questão.

Quando vejo muitos dos textos propagados por aí, tenho a opinião de que o objetivo não é falar o que é certo, ou o que é errado. Não! Não é escolher lados, não é ser de esquerda, ou de direita e nem mesmo de centro. É criticar a postura do outro. É mostrar o quanto o outro está errado. É propagar um certo "ódio" por aquele com a opinião diferente. É fazer, como muitos tem falado, uma pequena guerra entre opiniões.

Parece mais prazeroso "calar a boca" de alguém, do que passar conhecimento de maneira educada e amigável. Se mostrar superior ao outro. Mandar o outro estudar. Citar autores importantes mais que o "rival". E acho que é nesse ponto que mora o principal erro e problema do Brasil na atualidade. Não vou usar a frase mais repetida: "O problema do Brasil é a Educação. Precisamos de investimento na Educação".

Eu até concordo com ela, mas acho que não aguento mais ver textos que sempre conclui isso, preciso de mais. Muitas das pessoas que propagam conteúdos como falei acima estudaram em boas escolas, em boas faculdades, têm um português bom, uma gramática boa e, junto com tudo isso, uma prepotência e arrogância maior ainda.

A falta de educação realmente pesa, principalmente na criminalidade e nos anos de eleições. Porém, vejo a "classe educada" com um erro maior ainda. Essa semana, vimos a barbárie do estupro de uma menina por 30 rapazes. E, nem mesmo 24 horas depois das notícias, surgiram os debates sobre machismo, feminismo, estupro e por aí vai.

Porém, não é um debate de discussão em si, mas sim um jogando contra o outro, um acusando o outro e, principalmente, explorando os defeitos que cada movimento tem. Basta ver as pessoas que são mais influentes no Facebook atualmente, sejam de indivíduos, páginas de esquerda e direita ou movimentos mais organizados. É comum ver o discurso de ódio. Todos têm em comum se defender de um erro apontando o erro do outro. "Tal áudio citou fulano, mas quando citou o outro fulano vocês não aceitaram. Hipócritas". Esse tipo de argumentação é comum, só difere que não coloquei os palavrões e coisas do tipo, também sempre presentes.

No dia em que uma menina sofreu um dos piores crimes que o Brasil noticiou recentemente, o que mais sobrou foi o ódio escorrendo em redes sociais com o objetivo de mostrar para o próximo quem está certo ou errado. Ódio nos posts, nos comentários, nas fotos e em tudo que envolve o episódio.

E isso tem acontecido bastante. Durante o processo de impeachment da Dilma, por exemplo, era fácil ver o embate tenso com acusações pesada, e verdadeiras, pelos dois lados, prós e contras. Nos recentes áudios de Renan Calheiros e Romero Jucá, a mesma coisa. Parece que cada semana é a oportunidade de um dos lados começar a briga entre si.

Parem com isso! Posso parecer aquele jogador que tenta separar os brigões no meio do campo, mas é exatamente disso que precisamos. Não somos adversários, somos do mesmo time. Enquanto nossos governantes moram em palácios, Palácio do Buriti ou Jaburu, a gente briga para defender áudio de um ou investigação contra outro. Esquecemos de abrir o olho, de evitar o ódio e isso é o maior erro do brasileiro. Pessoas como Tico Santa Cruz, Renata Barreto e outros vomitam agressões e despertam o "like" mais pelo ódio do que pela razão e isso, sinceramente, é muito triste.

Não estou falando que as pessoas só reproduzem besteiras. Pelo contrário, vejo em vários textos muita informação correta, e interessante, que merecem ser avaliadas e discutidas. Mas, isso nunca é o foco quando gera reações. As guerras nos comentários é sempre como foco mostrar a "burrice" do outro.

Onde está o filtro? Parar, ler, pegar o que é bom e tentar discutir o que é ruim. Não. Se tal fulano é da direita, ele só fala besteira. Se tal fulano é da esquerda, só fala besteira. E fica nessa briga, enquanto bons argumentos ficam para trás. Muitos se assustam com isso, criam preguiça e preferem se calar. Conheço pessoas com argumentos excelentes, de diferentes opiniões, mas que nunca fizeram um texto em rede social. O motivo quase sempre é o mesmo: Preguiça da reação que ocorre, ou até mesmo medo. Infelizmente, são as pessoas que mais deveriam falar.

Acho que me questiono quais os verdadeiros objetivos desses textões, que eu generalizei bastante aqui. Será o status? Política? Poder? Sinceramente, não sei. Só acho que precisamos parar. Precisamos aprender a discutir, a ouvir e a brigar menos. Discurso de ódio não ajuda em nada, mesmo que um texto tenha diversas informações válidas. Ódio tem a capacidade de deixar errado o que é certo.

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